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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003
Futebol acreanoperde Aníbal Tinoco

Morre o técnico que montou no Juventus
a “academia do futebol acreano”

Raimundo Fernandes

Arquivo Página 20O futebol acreano perdeu uma de suas figuras ilustres. Morreu mais um pedaço de um clube chamado Atlético Clube Juventus. Vitima de insuficiência renal, faleceu ontem em Fortaleza, aos 71 anos, José Anibal Tinoco. Ele foi um dos melhores goleiros do futebol regional e um treinador que fez história no desporto acreano, sendo um dos responsáveis pelos mais famosos esquadrões montados pelo Juventus, que, numa certa época, chegou a ser denominado “academia de futebol”.

Na vida profissional, foi um dos primeiros professores de Educação Física da Ufac. Na política, foi vereador pela antiga Arena. No esporte, como goleiro, defendeu várias equipes locais, chegando à seleção acreana, até culminar com a direção técnica do Juventus, clube onde viveu a maior parte da sua história de dirigente. Ao longo de sua carreira como treinador não comandou nenhum outra equipe, nem mesmo nos períodos em que o clube do seu coração contratava outro treinador.

O corpo do ex-técnico chega hoje e será velado na sede do Atlético Clube Juventus.

Um técnico talentoso que gostava
do futebol arte como poucos

O professor José Aníbal Tinoco, enquanto goleiro, foi tido como um dos melhores do futebol acreano em todos os tempos.

Dono de belas defesas ele fez escola, tanto que foi o fundador de uma família de goleiros: o filho Normando (hoje advogado), o genro Illimani Lima Suares, e neto, filho deste último com a professora Norma, Illimani Júnior.

Como técnico, incentivado pelos amigos, logo demonstrou talento e competência. Fazia questão de colocar em campo quem jogasse futebol e com ele não tinha a chamada “panelinha”, a escalação de jogador por cara.

Tive a sorte de ser considerado seu amigo, mesmo estando com a “latinha”, como ele chamava o microfone, e com uma caneta, objeto que ele tratava carinhosamente de “esferográfica”. Depois que o conheci, ele passou a me chamar de repórter “Sabiá”.

Um dia, ao lado do alambrado, ele me disse: “Olha, repórter, tu ainda vai ter saudade do futebol jogado pelo time que eu treinei. Vai aparecer um monte de técnico, jogador perna de pau, e tu vais escrever sobre eles”. Mesmo brincando o mestre tinha razão.

Nosso último encontro foi na noite do dia em que o atual presidente do Juventus, Rivaldo Guimarães foi eleito. Mesmo com a saúde complicada, ele ainda brincou comigo ao dizer: “Diga aí neste seu jornal que o Juventus está de volta para ser campeão e vai ser muita peia”. De repente ele mesmo completou: “Peia nos outros”. Naquele ele se fazia acompanha da filha Norma e de outros amigos. Deus o chamou e ele não teve a oportunidade de ver o seu time voltar ao futebol profissional.

O mestre Tinoco montou um time do Juventus que tocava a bola da sua defesa até o gol adversário, sendo por isso chamado de “Academia do Futebol Acreano”.

Vai o corpo do mestre para o túmulo, mas seus ensinamentos ficam.

Sua voz dura e vezes raivosa não passava de uma expressão áspera, por que no fundo “Tinocão” era um técnico dos mais humanos que conheci. Com ele, quem jogava futebol tinha que ter qualidades técnicas, sendo que os pernas-de -pau ficavam na espera.

Tudo o que deixou nunca lá se juntará aos irmãos Elias e Eduardo Mansour, somando a tantos outros juventinos e desportistas que amavam como nós a José Anibal Tinoco.

Deus tomará conta de sua alma nesta sua verdadeira vida, a eterna.

“Velho”

Velho que foi novo

Velho que foi inútil

Velho que tem sabedoria

Velho que sempre lutou

Velho que nos ensinou

Velho que fez por amor

Velho que sabe jogar

Velho que foi campeão

Velho que sabe perder

Velho que faz por prazer

Velho que não é traidor

Velho que pensa no amor

Velho que sabe esperar

Velho que sempre doou

Velho que sempre caminhou

Velho que sempre foi firma

Velho que já está cansado

Velho que já não consegue caminhar ligeiro

Velho que é um herói

Velho que não quer deixar de enxergar

Velho que sempre escutou

Velho que não quer depender

Velho que quer liberdade

Velho que quer se esbaldar

Velho que vive a cantar

Velho que sempre chorou

Velho que se emocionou

Velho que se apaixonou

Velho que não quer ir embora

Velho que se sente velho

Velho que horas se sente velho

Velho que hora se sente jovem

Velho que sempre sonhou

Velho que jamais pensou em se sentir inútil

Velho que é sábio

Velho que é bom

Velho que é eterno

Velho que é meu e sempre jovem bom, amado, e pai.

Velho que te quero velho

Velho que te amo. Velho, pois velhos são apenas seus cabelos brancos, que para mim é um exemplo de vida. Viva meu velho, viva meu pai. Viva muito com Deus, a nos proteger e abençoar, a nos dar saúde e muito amor pela vida.

Velho, meu querido velho amigo. Beijos de sua filha, que te ama muito.

De: Norma Tinoco.

Filhos: Toty, Nomando, Meury e Zé.

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