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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 7 de fevereiro de 2003

A crise continua

O presidente Hugo Chávez iniciou um processo administrativo contra mais uma emissora de televisão, a Venevision, e mandou para o Congresso uma nova lei para regular os meios de comunicação. A notificação do processo foi entregue na emissora por funcionários do governo cercados por centenas de militantes dos círculos bolivarianos transportados em carros oficiais.

O presidente Hugo Chavez, ao fim da greve que poderia ser um momento de negociação de uma saÍda pacífica, decidiu escalar o conflito: fez uma manifestação comemorando o aniversário do golpe que tentou dar no país em 92, fez novas ameaças às emissoras de televisão, iniciou o processo contra a Venevision.

Na economia, ele congelou os preços da cesta básica. Esta semana, ao fim do período em que o mercado cambial ficou fechado, anunciou que o câmbio será controlado para vencer “a especulação dos terroristas”.

A Câmara Americana-Venezuelana de Comércio divulgou, para seus associados, um alerta de que os executivos e empregados das empresas estrangeiras no país devem seguir várias normas de segurança. Entre elas, a de se comunicar com suas embaixadas e com seus assessores jurídicos para “conseguir um mínimo de garantias pessoais e corporativas”.

A Câmara de Comércio sugere que as empresas avaliem, com responsabilidade, as condições atuais “de modo a considerar a execução de planos de contingências exigidos para o redimensionamento de suas operações no país e para a proteção de seu pessoal”. Segundo a Câmara, isso foi motivado pelas denúncias que tem recebido de violências contra afiliados.

Sobre as últimas medidas adotadas pelo governo, a Câmara Americana diz que o controle de câmbio pode provocar desabastecimento, inflação, desemprego e uso de critérios políticos na aprovação das remessas.

Chavez tem dito que “não haverá dólares para os golpistas”.

A crise entre o governo e a imprensa está se agravando. O processo administrativo contra a Venevision, que, pela lei do país, pode terminar com a cassação da concessão, foi iniciado de forma espalhafatosa. Os funcionários do Ministério da Infra-estrutura foram à emissora entregar a notificação acompanhados, na sua ida até o local, por manifestantes dos círculos bolivarianos, que a emissora disse ser “círculos violentos armados”. A empresa tem 15 dias para se defender das acusações.

Ao mesmo tempo, começou ontem, com tumulto, a tramitação em regime de urgência de uma nova lei de radiodifusão, chamada Lei de Responsabilidade de Rádio e Televisão. A oposição diz que a tramitação não obedece as etapas exigidas no regimento. Jornalistas e artistas garantem que ela é um atentado à liberdade de expressão.

Chavez acusa os meios de comunicação de fazerem parte da conspiração contra seu governo. O presidente da Venezuela tem dito, em seus pronunciamentos, que o grupo Cisneros, que atua em diversos setores da economia, está no comando desta conspiração. A Venevision pertence a este grupo.

Apesar de a greve ter terminado, o país continua importando gasolina. O site do governo informa que, neste mês de fevereiro, está prevista a importação de mais 12 milhões de barris de combustível.

Desvio de rota

O anúncio da fusão entre a Varig e a Tam foi feito por dois ministros, entre eles, o ministro José Viegas, da Defesa. Este não é um assunto de governo, muito menos militar. O pior que se pode fazer, na crise das empresas aéreas, é estatizar e militarizar a questão.

As empresas do setor precisam fazer ajustes, cortar custos, rever normas de governança, negociar suas dívidas e encontrar parceiros privados que injetem recursos. Tudo isso devem fazer diretamente, até porque, toda vez que o governo assume como seu o problema, as empresas adiam os ajustes que precisam fazer. O governo, como é um grande credor, pode ser o facilitador das negociações necessárias, mas não o promotor, o tutor e o responsável pela fusão. Terminará sendo, também, o pagador da conta.

Sob velha direção

O BNDES está paralisado pelas mudanças drásticas de rumo. Das 25 superintendências, a nova direção acabou com 13 e mudou o chefe em 10; as outras foram mantidas. O resultado é que, nas duas primeiras reuniões, o banco não conseguiu aprovar nenhum projeto.

A nova direção não tem conseguido se fazer entender sobre o que são os novos tempos. Parecem muito com velhíssimos tempos.

Com a, por favor!

A Ouvidoria da Petrobras tanto ouviu queixa das mulheres, pelos seus cargos no crachá no masculino, que determinou: quando houver versão feminina — como é o caso de engenheira, geóloga, técnica, assessora — os crachás serão corrigidos.

São 3.820 mulheres e, dos 165 postos que ocupam, 129 permitem flexão de gênero.

A ouvidora — e não ouvidor — é Maria Augusta Carneiro Ribeiro.

A EMBAIXADA brasileira nos Estados Unidos tem recebido cartas e e-mails de apoio ao programa Fome Zero. Outro dia, junto com uma carta, veio um cheque de US$ 25, de um cidadão americano, para ser encaminhado ao programa.

paneco@oglobo.com.br
Miriam Leitão
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