
Telefone sem fio
Em jantar num restaurante de Brasília, o ex-ministro Rodolfo Tourinho e a atual, Dilma Rousseff (Minas e Energia), conversaram sobre as causas do 'apagão'. A petista está convencida de que Tourinho tentou alertar o governo sobre o risco que havia à época, mas não foi ouvido.
Pilha palito
A maior preocupação de Rousseff no momento não é a produção de energia. Estaria havendo até sobras, já que o consumo atual -após os ensinamentos do 'apagão'- seria próximo ao do nível de 1999. A prioridade da ministra é a ampliação da rede de transmissão.
Coerência política
Comentário de 1995 de Genoino - que hoje ameaça punir Heloísa Helena por ter se recusado a votar em Sarney- sobre o peemedebista, que à época também havia sido eleito presidente do Senado: 'Com Sarney, o governo está bem arrumado para não fazer as reformas'.
Dúvida cruel
As reformas tributária e da Previdência -que Lula diz serem prioritárias- já estavam na pauta do país em 1995. Resta saber se, na opinião de Genoino, Sarney não atrapalha mais, o governo não tem tanto interesse em aprovar as reformas ou se é o caso de fazer um mea culpa.
Fome dez
No apagar das luzes, Ramez Tebet (PMDB) e a antiga Mesa do Senado aprovaram a criação de uma verba de gabinete de R$ 12 mil para cada parlamentar. No total, o Senado gastará por ano R$ 11,6 milhões para pagar o aluguel de escritórios, de veículos ou despesas relacionadas ao 'exercício da função'.
Melhor que o céu
Aprovada sem alarde, a verba extra será custeada com o remanejamento de recursos do orçamento do Senado. Hoje, cada parlamentar já dispõe de R$ 100 mil para pagar funcionários, de quatro passagens aéreas por mês e de um apartamento funcional (ou auxílio-moradia).
Cinco estrelas
Os senadores têm direito ainda a carro oficial -com 25 litros de gasolina por dia-, a R$ 8.800 por ano para gastar com material gráfico, a uma verba de correspondência, a uma cota de telefone de R$ 500 por mês para o número de sua casa e a uma outra ilimitada para o do gabinete.
Lavagem de biografia
Fernando Bezerra (PTB-RN), ministro de FHC que deixou o cargo depois de acusações de irregularidades em projetos envolvendo recursos da Sudene, foi convidado por Aloizio Mercadante (SP) para ser o vice-líder de Lula no Senado. O PT potiguar está em polvorosa.
Meio a meio
Os governadores do PSDB marcaram de se encontrar domingo à noite em uma pizzaria de São Paulo. No dia seguinte, os tucanos vão se reunir novamente, no Palácio dos Bandeirantes, para discutir as reformas tributárias e da Previdência.
Hora da reação
Em reação às críticas da ala da esquerda do PT ao governo, Carlito Mers (PT-SC) articula a formação do 'grupo de amigos do Lula'. Segundo ele, a esquerda tem sido 'sectária e oportunista', enquanto os moderados estariam sendo 'omissos'.
De molho
Paulo Maluf vai se internar hoje no Hospital Albert Einstein. Será operado de catarata.
Caso de polícia
Índios macuxis, da reserva Raposo Terra do Sol (RR), disseram a Eduardo Almeida, presidente da Funai, que voltaram a ocorrer estupros de índias por militares instalados na região.
Visita à Folha
João Mellão Neto, secretário de Comunicação do governo do Estado de SP, e Sircarlos Parra Cruz, coordenador de imprensa, visitaram ontem a Folha.
TIROTEIO
Do líder do PPS na Câmara, Roberto Freire (PE), chamando de autopromoção a iniciativa da socialite Vera Loyola de doar o colar de ouro da sua cadelinha ao programa Fome Zero:
- Em 1964, já deram ouro para o bem do Brasil. Agora querem dar colar de cachorro. Não podemos tolerar isso.
CONTRAPONTO
Abraço dolorido
O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, estava numa reunião com o presidente Lula, há três semanas, discutindo as reformas do governo. A conversa, no gabinete presidencial, tinha caráter oficial. Num rompante, Lula se levantou para uma manifestação de tom intimista.
-Vem cá, me dê um abraço. Você derrotou o Collor!
O grandalhão Lessa, que já foi jogador de vôlei na juventude, saiu da cadeira e abraçou o presidente por vários segundos.
Lula, que ainda sofre com fortes e constantes dores no ombro direito, provocadas por uma inflamação, observou:
-Mas não aperta muito. Cuidado com a minha bursite...
Lessa, que vem enfrentando dores nas costas por causa de uma hérnia, rebateu, rindo:
-E o senhor, presidente, tome bastante cuidado com a minha coluna. Ela também não anda lá muito boa...