
Medidas imediatas
Na reunião ministerial de segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará também medidas de implantação imediata, algumas destinadas ao aquecimento da economia, além de estabelecer metas administrativas para este ano e delimitar o contingenciamento orçamentário.
Fontes do Palácio do Planalto confirmam o anúncio das medidas, embora negando-se a fornecer detalhes, sob o argumento de que estão sendo ainda decididos. Do PT e da área econômica vêm indicações de que podem se relacionar principalmente com o aumento da oferta de crédito e com o esforço preventivo contra os efeitos da guerra contra o Iraque, que vai se aproximando do inevitável. Essas informações vêm ao encontro do que disse o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, sexta-feira passada, durante a reunião em que ouviu críticas frontais de deputados da ultra-esquerda petista, que continuam acusando-o de praticar uma politica econômica continuísta e neoliberal: “O mais importante agora é saber como vamos investir os R$ 37 bilhões do BNDES e os R$ 12 bilhões da Caixa Econômica Federal”, disse Palocci em resposta.
A criação de instrumentos de microcrédito foi um dos temas mais recorrentes do discurso de campanha do presidente Lula. Segundo fontes do PT, ele vem insistindo com a equipe econômica em medidas de regulamentação e estímulo às cooperativas de crédito para pequenos investidores e empresários. Umas das medidas pode ser nessa área. Ontem Palocci acertou com dirigentes da Febraban um esforço conjunto para o aumento da oferta de crédito e a redução de juros, providências preliminares para a retomada do crescimento.
As mesmas fontes palacianas que confirmam a preparação de “medidas imediatas” repelem com energia a palavra pacote, historicamente associada a medidas econômicas de impacto negativo. Nenhuma mudança na rota macroeconômica está sendo analisada, garantem, não havendo qualquer motivo para especulação ou nervosismo no mercado.
Segunda-feira, durante uma solenidade militar, os ministros Palocci e José Dirceu admitiram que, sobrevindo a guerra, o governo tomará medidas para minimizar seus efeitos. Por exemplo, subsidiar o gás de cozinha, caso haja uma elevação muito significativa no preço dos derivados de petróleo. Mas providências dessa natureza só serão adotadas depois de configurada a necessidade. O que Lula está querendo para já são medidas específicas, que sirvam também para distinguir a rota de seu governo do mero continuísmo. Alguma coisa que passe a seguinte mensagem: o governo está sendo forçado a manter o receituário anterior mas não faz da estabilidade um fim em si, e sim o caminho para a mudança segura e a retomada do crescimento sustentável, sem inflação.
Se confirmadas, essas iniciativas teriam também o efeito político de atenuar a agitação interna que tomou conta do PT, privando os radicais de seu principal discurso, o de que o governo está praticando o malanismo com Palocci.
Poliedro irregular
Ainda sobre as distorções na composição do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social: a indústria, que responde por 30,1% do PIB, tem 56% (23) das 41 vagas reservadas ao setor produtivo. O comércio e o setor de serviços, que juntos respondem por 53% do PIB, ficaram com 14,6% (seis vagas). A agropecuária, que faz outros 6,7% de PIB, com 12,1% (cinco) das vagas. O setor financeiro (5,2% do PIB), com sete representantes, ocupa 17% das cadeiras. No conjunto (82 membros) há também a super-representação de São Paulo.
Flexão de gênero
Pode parecer frufru, mas são medidas que refletem uma correta política de gênero. O novo presidente da Câmara, João Paulo, mandou confeccionar para as parlamentares carteiras de identificação com a inscrição “deputada federal”. Até aqui, elas se apresentavam como “deputado”. Na Petrobras, as engenheiras e técnicas disso ou daquilo também estão recebendo crachás com a função grafada no feminino. No Congresso, ninguém se dirige mais ao plenário dizendo apenas “senhores deputados” ou “senhores senadores”.
Escalação
Aldo Rebelo, líder do governo na Câmara, escolheu seus vice-líderes. São eles os deputados Sigmaringa Seixas (PT-DF), Renildo Calheiros (PCdoB-PE), Professor Luizinho (PT-SP), Beto Albuquerque (PSB-RS) e Vicente Cascione (PTB-SP). No Senado, o líder Aloizio Mercadante oferece ao PMDB, como primeiro passo para o ingresso do partido no governo, a liderança no Congresso (bicameral). Cotados os senadores Pedro Simon e Amir Lando. Mas os governistas da Câmara preferem um deputado peemedebista no cargo. Fazer a maioria ali será muito mais complicado do que no Senado.
DECIDIDO o comando administrativo da nova Câmara. Sérgio Sampaio foi reconduzido à diretoria-geral e Mozart Viana à Secretaria Geral da Mesa. José Humberto é o novo chefe de gabinete da presidência e Márcio Araújo, o diretor de Comunicação Social.
PARA acusar o PL de traidor na eleição da Mesa da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, o PT teria que conhecer o mapa de uma votação secreta. Por isso o partido vai questionar na Justiça o rompimento da coalizão, diz o deputado Neucimar Fraga (PL-ES).
CHICO FERRAMENTA, o prefeito de Ipatinga (MG) que fez o governo petista pagar um mico com seu sumiço, vinha enfrentando uma séria depressão e não se tratava, o que fará agora.
Tereza Cruvinel