
Moradores do bairro Boa União
foram lesados e clamam por justiça
Proprietários disputam terreno
que foi revendido
dezenas de vezes; suposto dono enfrenta 16 processos
Imagine-se visitando o terreno que você acabou de comprar. Ao chegar lá encontra com outra pessoa que também se diz o dono. Outra situação: ao chegar para limpar o local onde construirá sua futura casa descobre que já tem uma construída e com uma família morando. Dessa e de outras formas semelhantes mais de 50 moradores do bairro Boa União foram enganados.
Segundo o presidente da associação de moradores do bairro, Manuel Almeida da Silva, o vendedor dos terrenos se chama Irineu Carlos Almeida e continua vendendo lotes no bairro, com documentação assinada por ele.
Hoje os compradores lesados registrarão queixa na VI Unidade de Segurança Pública e devem entrar com processo no Ministério Público, que serão somados aos 16 existentes contra Irineu, entre eles estelionato e embargo de terceiros.
“As pessoas que foram lesadas querem uma posição da justiça, para saber o que será feito. Foram enganadas ao comprar um terreno, que já havia sido vendido para outros compradores, todas têm documentos de compra e venda assinados pelo Irineu. Segunda feira nós vamos ao Ministério Público conversar com o promotor sobre o que pode ser feito e os processos que estão em andamento”, disse o presidente.
Segundo Manuel Almeida, o vendedor não tem endereço fixo e há boatos de que ele esteja em Rondônia. “Não sabemos como encontrá-lo. Segunda feira passada nós participamos do programa Boa Noite Rio Branco e ele fez intervenções por telefone, se defendeu dizendo que não temos provas e disse que ainda é proprietário de 20% das terras do bairro. Todos os moradores que compraram terrenos dele têm os documentos assinados, o que é uma prova de que não estamos mentindo”, disse.
Treze anos de esquecimento
O bairro Boa União foi fundado em 11 de abril de 1990 e tem cerca de seis mil moradores. Segundo levantamentos do presidente, a rede de água no local cobre apenas 20% das casas instaladas. A iluminação pública funciona em apenas 30% do bairro.
Manuel contabilizou um total de 136 postes sem lâmpadas em toda extensão do Boa União. Com relação ao saneamento básico, o representante acredita que precisam ser colocados 56 bueiros para que o problema de alagamento termine de vez. Esses são apenas alguns dos problemas enfrentados pelos moradores do bairro, que tem a grande maioria de suas ruas tomadas pelo mato.
O presidente do Boa União já encaminhou 38 ofícios para os diversos órgãos da administração municipal numa tentativa de solucionar os problemas existentes, além de vários abaixo-assinado, mas não obteve respostas positivas ou ações concretas na melhoria das condições de vida do bairro.
As reivindicações dos moradores
Para o Sistema de Abastecimento de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) foram enviados nove ofícios e um abaixo-assinado com 600 assinaturas. A reivindicação é a ampliação da rede de água.
A Secretaria de Obras Municipal (Semovur) recebeu oito ofícios e um abaixo-assinado, todos solicitando a ampliação da rede de iluminação pública. Todos os meses os moradores recebem em suas contas cerca de 5 reais de taxa sem que haja a prestação devida do serviço. O problema parece ser da Eletroacre, mas, a empresa tem convênios com a prefeitura, e cabe à administração do município escolher os locais que serão ampliados e executar a obra. Em resposta aos documentos recebidos, o secretário Amarildo Uchoa Pinheiro disse estar esperando a resolução de pendências no convênio para solucionar o problema.
A Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb) recebeu seis ofícios solicitando a colocação de 56 bueiros no bairro. “Eu fiz um levantamento e acredito que essa é a quantidade necessária para atender os problemas do bairro. O Lauro Julião disse que mandaria uma equipe para avaliar a necessidade do bairro e essa equipe nunca chegou, muito menos os bueiros que precisamos”, disse o presidente.
Oito ofícios foram encaminhados à Sensur. Os moradores do Boa União querem mil metros de acessos às ruas, as principais do bairro. “Até agora não foi feito nada. Também pedimos ao prefeito uma creche e uma área de lazer para a comunidade, mas continuamos esquecidos”, disse o presidente.