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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 7 de fevereiro de 2003

Surto de virose respiratória
lota hospitais da capital acreana

Infecção gripal que assola Rio Branco é causada pelas chuvas e a forte umidade do período de dezembro a fevereiro

Rose Farias

Uma virose gripal vem atingindo a população de Rio Branco e o maior alvo são as crianças, sem descartar os adultos e idosos. De acordo com a pediatra Dilza Terezinha Ambros Ribeiro, essa virose já é esperada pelos médicos, pois acontece anualmente, sendo o período compreendido de dezembro a fevereiro o de maior índice devido às constantes chuvas e a forte umidade.

“O clima favorece bastante devido as chuvas e principalmente a umidade que é alta. Isso quebra as defesas do organismo principalmente das crianças e dos mais idosos”, ressalta a pediatra.

Os sintomas que atacam primeiro são geralmente a febre, depois vêm a respiração rápida (cansaço), diminuição de apetite, choro constante, gemidos, dor de ouvido e temperatura adequada, além de a criança não conseguir engolir.

“Se a febre permanecer por mais de cinco dias, como também esses sintomas, trata-se de um quadro viral. Assim, é necessário que os pais procuram um pediatra, para que seja feita uma avaliação do quadro clínico, e tomado os cuidados devidos, tendo algumas crianças que serem internadas para tratamento”, explica a médica. Vale salientar que em crianças abaixo de um ano, o sintoma mais forte é a diarréia.

Na maioria das vezes a virose é alto limitada e pode durar de 3 a 5 dias, mas, segundo a pediatra caso ela se estenda é sinal de que pode haver algum tipo de complicação, como uma broncopneumonia. Mas, a pediatra explica que vai depender de organismo pra organismo.

“Depende de cada organismo, alguns reagem melhor do que outros. Algumas viroses são oportunistas e aproveitam o momento para atacar com mais rigor os organismos mais debilitados”, explica a pediatra Dilza Ambros.

Entretanto, a pediatra que costuma atender na média de 20 crianças ao dia, costuma receitar as mães algumas orientações para tentar evitá-la.

“A criança deve ter uma boa alimentação, tomar bastante líquido e evitar lugares aglomerados, pois facilitam a propagação dos vírus”, esclarece.

Dependendo do hábito de cada família a médica costuma receitar remédios alopatas acrescentando doses de produtos naturais, como mel, própólis entre outros.

“Algumas famílias acreditam nos charzinhos, mel, propólis, outras são arredias a esse tipo de tratamento. Então, procuro seguir o hábito de cada família”, diz.

Desnutrição pode complicar a doença

A médica explica que a virose gripal não escolhe classe para atacar e que todos se tornam alvo da doença. Mas, que infelizmente os mais sacrificados são os de baixa renda devido principalmente a desnutrição, o que na maioria das vezes pode gerar complicações maiores, no caso, a broncopneumonia e pneumonia.

Numa visita ao Hospital de Base, enfermaria infantil, a equipe de reportagem constatou que o índice de crianças das famílias de baixa renda, acometidas por esse tipo de doença não é nada satisfatório. Segundo uma funcionária, que pediu para não se identificar a média diária de casos que dão entrada no setor é de cinco a seis por dia, a maioria com broncopneumonia e pneumonia.

O menino Welligton Miranda Figueira, de 3 anos, e seu irmão Wemerson, de apenas 1 ano e 1mês, acometidos por broncopneumonia estão internados na ala infantil do hospital há uma semana. A mãe Maria Conceição Miranda conta que ambos tiveram uma gripe muito forte antes de serem acometidos pela doença.

“Logo depois o menorzinho teve febre, vômito e diarréia. Vim ao médico e eles fizeram o exame e a médica pediu para internar. Estamos sendo bem tratados aqui graças a Deus, mas dois doentes é muito triste. Rezo para que fiquem curados”, ressalta a mãe.

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