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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 7 de fevereiro de 2003

Delegado chega a pistoleiro
que teria matado Chiquilita

Prisão do acusado foi decretada pela Vara do Tribunal do Júri

J. Guimarães

A pedido do delegado Ariosto Filho, o juiz Pedro Ranzi, da Vara do Tribunal de Júri, decretou ontem à tarde a prisão de um suspeito pela polícia de ter executado com nove tiros de pistola o conselheiro aposentado do Tribunal de Conta do Estado (TCE) Marciliano Reis Fleming, o “Chiquilita”.

Desde ontem os agentes da 4a Unidade de Segurança Pública (Bosque) estão em diligência na tentativa de cumprir o mandado de prisão preventiva contra o acusado, e para evitar que o nome do procurado vaze na imprensa, os policiais estão trabalhando em sigilo.

O pedido de prisão já é fruto das novas investigações conduzidas pelo delegado Ariosto Filho e o escrivão Roberto Calos, que assumiram o caso no início do mês passado intimando várias pessoas arroladas no processo antigo e outras que sugiram a partir dos novos depoimentos.

O delegado não quis confirmar a informação, mas uma fonte de dentro da delegacia confidenciou ao Página 20, que o pistoleiro identificado nas novas investigações teria sido contratado por uma pessoa bem próxima da vítima e que esta pessoa será presa, também, tão logo a polícia coloque as mãos no autor dos tiros que mataram “Chiquilita”.

Marciliano Reis Fleming foi morto com nove tiros e depois abandonado ao lado de seu carro, no quilômetro 23 da estrada de Porto Acre. Na noite do crime ele dormia embriagado na varanda de sua chácara, enquanto a esposa Mercedes Freitas e o amigo Israel Vilarouca dormiam no interior da casa e não viram o conselheiro ser levado para o local do crime.

Apurado crime contra indígenas

O subdelegado de Jordão, Antônio Leal começou ontem a apurar a denúncia do indígena José Sales Kaxinawa, 28, de que o atentado à sua família teria sido encomendado pelo vereador Silvado Sereno, em retaliação ao assassinato de seu irmão.

Ontem à tarde o subdelegado solicitou o depoimento de José Sales, em carta precatória, para dar início às investigações que apuram o caso. Ele reafirmou a denúncia feita à imprensa rio-branquense de que o vereador teria contratado outros índios para matarem sua família.

O caso aconteceu quarta-feira pela manhã, próximo ao porto de Jordão. Cerca de dois atiradores abriram fogo contra a canoa dos índios ferindo gravemente Anastácio Maia Kaxinawa, 84, Maria Rosa Kaxinawa, 82, e José Maia Kaxinawa.

A suspeita da autoria do atentado recaiu sobre o vereador pelo fato de membros da família vitimada terem matado um irmão do parlamentar no ano passado durante um bebedeira na aldeia Belo Monte. Silvado já foi intimado a comparecer à subdelegacia para prestar depoimento.

Corpo de garoto é resgatado

Depois de quatro dias de intensas buscas, populares resgataram ontem pela manhã o corpo do garoto Alan Paulino da Silva, 9, que desapareceu nas águas barrentas do igarapé São Francisco ao tomar banho em companhia de amigos.

O corpo estava preso numa árvore a cerca de trezentos metros do local onde o menino caiu e foi encontrado por uma adolescente de 14 anos, que ao observar a enchente do igarapé avistou a mão de Alan fora da água.

A família da vítima foi avisada e um tio não esperou nem a chegada da equipe de resgate do Corpo de Bombeiros. Ele mesmo entrou na água e retirou o corpo do sobrinho, que já estava em estado de putrefação.

O cadáver deu entrada no Instituto Médico-Legal (IML) às 8h30 e só foi liberado depois do meio-dia, quando o médico-legista concluiu o exame cadavérico e confirmou a causa da morte por afogamento.

Preso suposto esfaqueador

A Vara Criminal da Comarca de Rio Branco decretou ontem pela manhã a prisão preventiva do estudante Clelto Fontes de Azevedo, 18, residente no bairro Plácido de Castro, acusado de esfaquear um rapaz no bairro da Sobral.

Clelto foi preso nas primeiras horas de ontem por agentes da 6a Unidade de Segurança Pública (Sobral), onde se encontra recolhido a uma das celas à disposição da Justiça, que deve encaminhá-lo ainda hoje para o complexo penitenciário Francisco de Oliveira Conde.

Consta nos autos que o estudante efetuou quatro facadas em um rapaz durante uma bebedeira no bairro onde mora e depois fugiu. Ele foi perseguido por uma radiopatrulha da Polícia Militar e preso em flagrante.

Na época o delegado não conseguiu reunir provas materiais que comprovassem a autoria do crime e ele foi liberado, mas agora, a pedido da mesma autoridade, o acusado voltou a ser preso.

Sua prisão só foi possível porque os policiais que apuraram o fato conseguiram convencer três pessoas, que teriam testemunhado a tentativa de homicídio, a prestarem depoimentos. As declarações das testemunhas foram essenciais para a decretação da prisão de Clelto.

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