

Peças criadas pelas artesãs geram renda para a comunidade
A arte de tecer em jornal
Exímias artesãs criam
peças de decorações a partir
de jornais velhos, unindo o ofício à busca pela melhoria de
vida
Rose Farias
Tudo começou há menos de um ano, quando a artesã Raimunda da Silva de Assis, voluntária da Pastoral da Criança da Paróquia São João Batista, do bairro Plácido de Castro, aprendeu com uma amiga a arte de tecer em jornal. Raimunda conta que logo se encantou com o ofício e começou a pedir a amigos que lhe doassem jornais velhos. Foi criando suas primeiras peças, e outras foram surgindo até passar o aprendizado para mulheres da sua comunidade.
As peças que formam o mostruário são criações que seguem um design próprio, e Raimunda faz questão de adiantar que tudo vai surgindo naturalmente, pois basta ter às mãos a matéria prima: canutilhos de jornal, cola e verniz ou tinta para o acabamento.
“Com o material em minhas mãos vou criando as peças, mas não sigo um desenho, a inspiração vem e quando vejo tudo já foi criado”, conta a artesã.
Cestas, bebê conforto, porta-retrato, mesa de centro entre outros objetos criados pelas artesãs demonstram o carinho com que cada objeto é confeccionado, o que demonstra a aceitação dos que apreciam trabalhos artesanais. Cada peça leva de 2 a 5 dias para ficar pronta e gastam no mínimo 100 canutilhos, o que requer muita paciência e habilidade.
“Acho que nosso trabalho tem bom gosto. Já vendi minhas peças até para a Itália”, diz Raimunda ressaltando que apesar de não terem um espaço para exporem seus produtos não existe nada que as faça desistir do ofício. Não é à toa que preparam uma exposição na Paróquia São João Batista para breve, como o propósito de gerar renda para a comunidade carente do bairro Plácido de Castro.
Atrás de um antigo sonho
Procurando buscar apoio de instituições governamentais, Raimunda da Silva diz que até o momento a comunidade vem recebendo apoio do senador Tião Viana.
“O curso que estamos realizando de pintura em tecido foi graças ao esforço do senador Tião Viana, que nos ajudou com uma bolsa”, conta a artesã, que diz acreditar que a comunidade vai conseguir sensibilizar os políticos e empresários revelando seus talentos e mostrando como podem contribuir para diminuir a miséria e a pobreza. Raimunda diz que aproveitou um encontro rápido da comunidade no ano passado com o governador Jorge Viana e lhe entregou uma carta pedindo apoio para empreender um antigo sonho.
Foi diante dessa clareza e se mostrando incansável que a artesã Raimunda revelou o que mais lhe move a não titubear diante das dificuldades da vida.
“Não me canso de falar a todos que não desisto, enquanto não ver meu sonho realizado. Quero ver um dia montada na comunidade uma cozinha comunitária, um espaço onde vou poder ensinar as mães que passam necessidade, a fazer sabão em pó e barra, xarope, produtos artesanais e outros. E olha que quando realizar esse sonho não sossego, pois vai ter muito trabalho e poderemos ver nossa comunidade indo para frente”, confessou a artesã com um lampejo de brilho nos olhos.
Cidadania para quem precisa
A
força de vontade e o engajamento da artesã Raimunda se revela
nas filhas. E não é à toa que a mais nova dos Silva,
Laura Osmira, 15 anos é uma das líderes da Pastoral da Criança
e exímia artesã. Ela diz preferir criar peças com canutilhos
de revistas e revela a importância do trabalho artesanal para a comunidade.
“Acho que estamos indo no caminho certo. Com esse tipo de iniciativa trazemos as pessoas para a comunidade, tiramos os jovens das ruas e damos cidadania ao povo. Existem muitas pessoas carentes que precisam paenas de uma oportunidade”, argumenta Laura.
Encomendas pelo telefone 225-4498, com Raimunda da Silva