
Não é originalmente acreana a idéia de criar um desenvolvimento que leve em conta as reais vocações de um povo, tendo em seu bojo, ao mesmo tempo e num só parâmetro, o futuro das próximas gerações e a necessidade de aplicação e expansão das várias formas de tecnologia.
Em dezembro de 1999, o Conselho Europeu de Helsínquia convidou a Comissão Européia a “elaborar uma proposta de estratégia a longo prazo que integre políticas de desenvolvimento sustentável do ponto de vista econômico, social e ecológico”, para apresentação no Conselho de Gotemburgo, em junho de 2001.
Se os europeus se espelharam no brilhante projeto desenvolvido num certo Estado no extremo oeste de um país de Terceiro Mundo, não se sabe. O fato é que, em 15 de maio, a Comissão aprovou a proposta de Estratégia para o Desenvolvimento Sustentável da União Européia.
Como o acreano, o documento inclui uma série de medidas concretas para que a UE possa melhorar o seu processo de decisão política, aumentando a sua coerência e projetos sociais e ecológicos a médio e longo prazos, contendo ainda alguns objetivos específicos, coadunando-se com as particularidades, clima, geografia e política daquela interessante região do globo.
É natural perceber uma certa ignorância sobre o tema aqui, no coração da Amazônia. Afinal, o Acre possui uma imensa reserva natural e riquezas supostamente incomensuráveis. Sim, elas existem. A Europa também tinha.
Até que, um belo dia, a ganância e o projeto de desenvolvimento equivocado detonado a partir da Revolução Industrial reduziu um imenso continente a um punhado de ilhotas, cuja maior riqueza é ter saqueado toneladas de matérias-primas de países hoje em desenvolvimento.
É preciso, pois, engajar-se e informar-se sobre o conceito de sustentabilidade. Até para contestá-lo, um dia, quando for o caso.