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Rio Branco - Acre, domingo, 9 de fevereiro de 2003
Emancipar com a florestania

Merecem a reflexão de todo cidadão brasileiro as declarações do prefeito da cidade do Jordão, Turiano Farias, feitas esta semana aos jornais acreanos. O prefeito questionava os critérios utilizados por organismos nacionais e internacionais (desconhecedores da realidade amazônica) que classificam o município como um dos piores do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano e de Exclusão.

“Nós temos que fazer com que esses órgãos entendam que o padrão de vida deles não pode ser uma imposição para o mundo porque a população do Jordão é composta basicamente por índios e trabalhadores da floresta e não há, portanto, como impor um padrão de qualidade de vida baseado no consumo desenfreado”, concluiu o prefeito.

Difícil encontrar uma declaração mais lúcida sobre “florestania”. O fato sobre o episódio dos índices é o despertar de uma discussão absolutamente inusitada que coloca a realidade dos Povos da Floresta em contraponto frontal ao “american way of life”, endeusado pela classe média brasileira e empurrado goela abaixo a todos os mortais. Os de baixo, bem entendido.

Já foi propagado em importantes encontros sobre Ciência Política que a grande força emancipadora de todo o mundo está sob a responsabilidade dos movimentos sociais. Esse discurso era quase um hino na década de sessenta e agora a boa nova chega reformulada.

A “florestania” não é um movimento social por excelência, mas o espírito inovador e de contestação presente em sua gênese mostra que essa palavra tem todo o potencial para mostrar ao mundo que a Amazônia já consegue iniciar um processo de formulação de um pensamento absolutamente inédito.

A Amazônia pode, por meio da “florestania”, conseguir protagonizar discussões oportunas diante do panorama de crise de valores às quais o homem contemporâneo parece ter se prostrado.

Há evidências de que um grupo de pensadores já se articula para a concretização de um organismo que faça realidade as discussões em torno do conceito de “florestania”. Isso é bom e não há momento mais oportuno para essa ação.

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