
Acre, um retrato amazônico
com sotaque nordestino
Exposição fotográfica de jornalista acreano faz sucesso nos Estados do Nordeste brasileiro
Josafá Batista
Foram cinco dias de viagem, 5.431 quilômetros percorridos de ônibus até Fortaleza (CE). Na bagagem, talento, força de vontade e paixão pelo Acre... e pelo menos 120 quilos de molduras. Valeu a pena. A exposição do repórter fotográfico do Página 20 Marcos Vicentti, 35, literalmente conquistou o Nordeste.
A aceitação foi tão boa, mas tão boa, que cearenses e pernambucanos pediram bis. Em outubro, Marcos voltará para a 1ª Bienal de Fotografia do Nordeste, um megaevento que reunirá fotógrafos profissionais de todo o país.
A excelente acolhida do povo nordestino foi bem visível na repercussão criada pela mídia. Pelo menos quatro grandes jornais de circulação diária cederam espaços generosos ao acreano que mostrou, em nítidos detalhes, a realidade amazônica. As manchetes de “O Povo” (CE) e “Diário do Nordeste (CE)” traduziram a acolhida na terra dos primeiros colonizadores do Acre. Em Pernambuco, a “Folha de Pernambuco” e o “Diário de Pernambuco” abordaram a forma de agir e as particularidades do povo acreano.
“Foram três exposições, duas em Fortaleza, no Espaço Cultural Dragão do Mar e no Bar do Ciço, também com lançamento do livro, e no Blue Three Park, um hotel de cinco estrelas, em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. Na verdade o que fiz foi abrir um precedente para fotógrafos e artistas acreanos. Não é impossível, como muitos pensam, mostrar o seu trabalho em outros Estados. Basta ter disposição e meter a cara”, diz Marcos, que, em sua jornada, teve o apoio moral e logístico da jornalista Rose Farias.
O projeto contou com o apoio em Fortaleza dos acreanos Gerardo Farias e Jesus Cintra e do deputado federal Inácio Arruda (PC do B – Ceará), e em Recife do articulador cultural José Antonio e do site CyberArtes.
A dupla viajou sem qualquer apoio estatal - ao contrário do que virou moda no circuito cultural acreano. Gastaram o que não tinham. Mas valeu. “Se pudesse, faria tudo de novo”, diz Rose Farias. E ela - mudando o tempo verbal do sobrenome e tudo - faz mesmo. Os dois fazem. Alguém duvida?