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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Recriando um mundo melhor

Projeto Fotografia com Latinha leva a exposição
Infância na Base ao Memorial dos Autonomistas

Rose Farias

Marcos VicenttiIdealizado pelo jornalista Válber Lima (foto), o projeto Fotografia com Latinha inaugurou ontem no Memorial dos Autonomistas a exposição intitulada Infância na Base.

Realizado com crianças e adolescentes em situação de risco, o projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura e ao Desporto da Fundação elias Mansour conta com 25 painéis, que registram cenas do cotidiano envolvendo crianças e adolecentes do bairro da base, um documento real sobre as condições de vida em que vivem.

O jornalista Válber Lima conta que um dos objetivos do projeto é de sensibilizar, por meio das imagens, a sociedade acreana sobre a realidade dura que permeia o universo das crianças e adolescentes da maioria dos bairros de Rio Branco.

“Na Base, apesar de ser um bairro central, o número de famílias carentes é bem significativo. Chamar a atenção da sociedade para a problemática é uma das intenções do projeto”, diz.

Um outro ponto enfocado, que envolveu a participação de 20 crianças e 10 multiplicadores de vários bairros da capital, segundo Lima, trata de tornar o projeto auto-sustentável.

Aprendendo a aprender

Forma simples de registrar cenas do cotidiano , o instante já, o projeto Fotografia com Latinha oferece às crianças a possibilidade de crescer, saber, melhorar, re/criar um mundo melhor.

Com uma latinha de leite em pó e papel de revelação, de forma prática é possível atrair à atenção das crianças e adolescentes, captando detalhes e detalhes, criando a imagem captada pelo olhar aguçado do aprendiz de fotografo. A ordem é todos juntos aprendendo a aprender, a ver, ouvir, a dialogar, a achar soluções e desenvolver inspirações. E quem aprecia esse tipo de iniciativa tem até o dia 28 deste mês para visitar a exposição.

Criando uma linguagem visual

As crianças, a princípio, pensam em mágica, um truque ou ilusionismo. Questionamentos que não fazem diante de um rádio ou de um computador, conseqüência da ditadura da tecnologia.

Mas o fato é que, no projeto Fotografia com Latinha, a criança vê e entende o porquê da formação da imagem. Muito mais do que isso, a criança aprende a construir suas próprias imagens, sobre seus pontos de vista. Dessa forma iniciam um processo de domínio sobre a linguagem visual.

Num mundo onde as imagens prevalecem como principal meio de comunicação, carregadas de ideologia, é de se esperar que a escola tenha, como parte indispensável da grade curricular, atividades lúdicas com utilização da câmara escura e da solução de prata como elemento sensível à luz. Esse é o princípio básico da fotografia com latinha. (Assecom)

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