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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Fatura estadual

Os governadores do PSDB vão exigir de Lula, para apoiar a reforma da Previdência, que uma parte da dívida dos Estados com a União seja usada para capitalizar os fundos estaduais. Na próxima sexta, os secretários de Fazenda dos tucanos vão se reunir para formatar a proposta.

Buraco fundo

A dívida líquida mais preocupante entre os Estados administrados pelo PSDB é a de SP (R$ 89,1 bi, segundo relato feito por Alckmin na reunião com os governadores). Em razão dos juros e dos reflexos no câmbio, apenas entre novembro e dezembro o seu crescimento foi de R$ 4 bi.

Primeira disputa

Os tucanos combinaram de se reunir de novo na véspera do encontro de governadores com Lula, marcado para os dias 21 e 22. Além de bater o martelo sobre as propostas para as reformas tributária e previdenciária, definirão quem será o porta-voz do grupo: Aécio ou Alckmin.

Corte político

As emendas parlamentares estão entre os alvos da tesoura lulista, que cortará, ao todo, R$ 14 bi do Orçamento. Mas, para evitar crises no Congresso, serão derrubadas de preferência as assinadas pelos 236 deputados e 40 senadores não reeleitos.

Poderes independentes

Senadores recém-chegados à Casa ficaram espantados ao descobrir que, para receber a senha de acesso ao sistema de fiscalização dos gastos do governo, precisam pedi-la formalmente a Palocci Filho (Fazenda).

Pé na tábua

José Sarney, presidente do Senado, vai propor ao da Câmara, João Paulo, a instalação de uma comissão mista para acelerar a tramitação da reforma política.

Reality show

Lula enfrentará na semana que vem o primeiro ato de servidores públicos por reajuste de salários. Os sindicatos do setor vão lançar campanha por 46,95% de aumento com slogan que é uma cobrança à promessa básica do petista na eleição: 'Chegou a hora de mudar essa história'.

Informação pública

Um projeto de resolução apresentado no ano passado por Eduardo Suplicy (PT-SP) está tirando o sono de muitos servidores do Senado. O texto prevê a publicação anual, no Diário do Congresso, da relação dos servidores da Casa com os seus respectivos cargos e salários.

Holerite de risco

Servidores têm dois argumentos básicos para tentar barrar o projeto de Suplicy. Primeiro, a divulgação dos salários representaria uma quebra de sigilo fiscal dos funcionários da Casa. Segundo, exporia os servidores até ao risco de sequestros.

Lição de campanha

Ciro (Integração Nacional), que, como se diz no DF, perdeu a eleição presidencial 'pela boca', aguentou calado ao corte radical nas verbas de sua pasta. 'O ministro não falará sobre esse assunto', repetiu sua assessoria ontem aos jornalistas que queriam ouvi-lo sobre o tema.

Teatro vazio

Magno Malta (PL), que presidiu a CPI do Narcotráfico na Câmara, tentou reabrir as investigações no Senado. Reunidos, os líderes dos partidos não deram bola ao pedido. A opinião geral foi a de que o novo senador quer apenas um novo holofote.

Pacto regional

Ronaldo Lessa (PSB) também articula uma reunião preparatória para o encontro dos governadores com Lula. Será no dia 18, em Alagoas, e envolverá apenas os representantes do NE.

Ordem dos fatores

O PMDB deve recusar, por hora, o convite do Planalto para assumir a liderança do governo no Congresso. 'Como ter a liderança do governo se o PMDB não está no governo?', questiona Renan Calheiros (PMDB-AL).

TIROTEIO

Do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), sobre o início do governo Lula:

- É um caso inédito no mundo. O candidato apoiado por Fernando Henrique Cardoso foi derrotado na eleição presidencial, mas as suas idéias acabaram vitoriosas.

CONTRAPONTO

Na hora errada

Ricardo Berzoini (Previdência) participou de um debate com servidores públicos de SP sobre as mudanças na aposentadoria, na semana passada.

O clima tenso em razão do descontentamento dos servidores com as propostas em discussão no Planalto era agravado pela superlotação do pequeno auditório, que não dispunha de ar-condicionado.

O ministro ouviu atentamente as críticas e subiu ao palco para respondê-las. No momento em que ia falar, tocou o celular de uma aposentada da platéia.

Sem perceber que estava sendo inconveniente, ela atendeu a ligação e começou a falar. No auditório silencioso, apenas a sua voz era ouvida, constrangendo a todos. Berzoini olhou, então, para a aposentada e disparou, arrancando gargalhadas:

-Diga que o ministro Berzoini está mandando um abraço para o seu amigo.

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