© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003

Diabetes se alastra e vira ameaça
velada por falta de atividades físicas

Associação registra nove mil portadores
da doença só na capital acreana

Samara Castro

Já é praticamente, quase, impossível manter uma boa saúde do organismo uma vez que, segundo a presidente da Associação Acreana de Pacientes Epilépticos e Diabéticos (Aaped), Cláudia Porto, as pessoas hoje em dia vivem uma vida corriqueira e não têm tempo para uma boa alimentação. Com isso, o número de diabéticos só na capital acreana chega a assustar os profissionais da área.

“Muitas pessoas não fazem a mínima idéia dos males que uma má alimentação pode trazer. O diabetes é um dos mais perigosos e é o que é menos delegado pelas pessoas, em especial, as crianças. Uma vez que elas desfrutam de uma liberdade alimentar dada pelos próprios pais”, afirma Cláudia.

Apesar das várias campanhas que acontecem todos os anos como alerta para a população, ela diz que só em Rio Branco, o número de pessoas que têm a doença chega a nove mil. Um número extremamente alarmante em comparação a um levantamento feito por ela há quatro anos.

“Esse número são de pessoas que precisaram, por algum motivo fazer exames, já que a procura para fazer o exame de diabetes é muito rara. Isso só na capital, sem falar no interior que não recebem tanta assistência como aqui, e que ainda não temos um número exato deles. O que também nos preocupa hoje, é a situação daquelas que têm e ainda não sabem. Esses casos são bem perigosos, pois a pessoa aparentemente está bem, mas na verdade, está doente e quando ela resolve procurar um médico, a doença já está bem avançada”, explica.

Tudo o que resta, é o corpo clamar pela falta de atenção, com uma tontura, escurecimento na vista, ou outro tipo de sintoma para anunciar ao despreocupado que vai começar a visitar o médico periodicamente a partir dali.

Diabetes não “pega” com o contato humano

O diabetes é uma doença causada por uma disfunção do pâncreas, que deixa de produzir insulina (o hormônio que controla a entrada de glicose nas células e seu nível no sangue) ou a produz em menor volume que o necessário. Estima-se que 7,6% da população mundial tenha diabete.

Segundo Cláudia, há vários tipos de diabetes, os mais comuns são do tipo 1 e 2.

“O diabete tipo 1 é uma doença caracterizada pela destruição das células secretoras de insulina, na maioria dos casos, se desenvolve na infância ou adolescência. No segundo tipo, a insulina é produzida em nível mais baixo que o necessário. Os pacientes de ambos os grupos são dependentes do uso terapêutico da insulina.”

Ela diz que a doença é hereditária e ocorre em 80% dos casos geneticamente propícios, manifestando-se após os 40 anos. No tipo 1, ou juvenil, que afeta pacientes que têm, em média, menos de 30 anos e corresponde a aproximadamente 15 % dos diabéticos, é o próprio organismo que produz substâncias que destróem progressivamente as células do pâncreas. Entre os outros tipos de diabetes estão o que ocorre durante a gestação (gravídica), o decorrente da velhice (diabete senil) e o adquirido por lesões no pâncreas causadas pelo alcoolismo ou presença de tumores.

SINTOMAS - No diabete tipo 2, Cláudia diz que, os sintomas podem ser imperceptíveis por até sete anos. A doença costuma ser diagnosticada já no estágio avançado e seus sintomas são sede excessiva, aumento da freqüência e da quantidade de urina, infecções urinárias e de pele, emagrecimento e problemas com a visão. Os sintomas do diabete tipo 1 são os mesmos da tipo 2, mas aparecem de forma mais repentina.

Remédios caros impedem tratamento

Os preços abusivos dos remédios e falta de informações são os dois maiores problemas que impedem portadores da doença de fazer o tratamento adequado. Como é o caso de Ilda Tavares, 42, que é umas das várias pessoas que sofrem de diabetes. Ela explica que em 1986, descobriu que tinha a doença, mas que só de uns dois anos para cá resolveu se tratar, pois não tinha a mínima condição de fazer o tratamento.

“Quando eu descobri que estava com a doença, nem me animei muito para fazer o tratamento. O remédio custa muito caro e não tinha condições para comprar os remédios”, explica.

Segundo ela, só está se tratando agora, porque recebe da Fundhacre os remédios que precisa para controlar a doença e da Aaped as instruções necessárias para manter uma boa dieta.

“Graças a Deus, a Associação foi criada. Eu sinto que é muito grande a falta de informações das pessoas quanto à doença. A associação tem ajudado muitas pessoas a conhecerem sobre e como trata-la.”

Associação acreana esclarece
sociedade sobre os perigos

A Aaped, foi criada em novembro do ano passado e ainda não tem espaço físico, mas segundo a vice-presidente Maria Aparecida Lima, tem ajudado bastante pessoas, não só doentes, mas também aquelas que tem interesse em saber sobre doença.

“Apesar de não termos uma estrutura física, estamos nos reunindo nas casas das pessoas. Temos conseguido atingir o nosso alvo, que é o de levar a informação sobre Diabetes e Epilepsia não só para os portadores da doença, mas também para os familiares e a população em geral que não conhecem sobre o assunto”, diz.

A associação é formada por nove voluntários que se sensibilizaram com a situação dos pacientes no Estado e resolveram trabalhar em favor da causa. Hoje a associação já tem mais de 700 pacientes cadastrados.

Como a entidade depende exclusivamente de voluntários e de doações, ela agora faz um apela para a população pois estão precisando de uma cadeira de rodas para dar a um paciente que sofre de epilepsia.

“Estamos com um paciente que está em um quadro bastante critico. A família dele não tem condições para comprar uma. Quando ele ia para a escola, sua mãe precisava leva-lo no braço, mas agora ela já está com um sério problema na coluna e está impossibilitada de continuar”, finaliza.

Interessados em ajudar a Associação de alguma forma ou na doação de uma cadeira de rodas, ligar para: 227-4029 (Mirlane) ou 9973-3313 (Cláudia).

Colunas
Cotidiano
Expediente
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal