
Ano após ano, a prova decisiva do concurso vestibular para ingresso no ensino superior, especialmente na única instituição pública do Estado, a Ufac, ganha conotações apocalípticas. Os próprios veículos de comunicação, involuntariamente, acabaram por instituir rótulos que até décadas atrás eram “privilégio” apenas da velha matemática, o ponto fraco dos colegiais de todas as idades, com suas equações, coordenadas e abscissas. A “temida redação”, o “bicho-papão do vestibular”, só para citar duas dessas metáforas assombrosas, são alguns chavões contemporâneos utilizados para identificar o mecanismo avaliador dos candidatos a uma cadeira no terceiro grau.
Antes de parafrasear o vetusto Vitor Hugo, segundo o qual “escrever é fácil. Ou impossível”, não é demais recordar que o simples ato de grafar idéias é uma relação de causa e efeito. Assim como ninguém escreve (ou não deveria escrever) da maneira que fala, igualmente lógico é que a leitura é o mais óbvio pressuposto de quem se atreve a escrever. Ela (a leitura), portanto, apresenta-se como um processo, uma seqüência de idéias apreendidas no decorrer do tempo e transformadas em experiência. Para sintetizar: quem não cultiva o hábito de ler decerto reúne todas as ferramentas para escrever da forma mais medíocre possível, inviabilizando a comunicação. E essa realidade, lamentavelmente, tem sido o maior obstáculo dos egressos do antigo segundo grau.
Atribuir o problema à debilidade do sistema de ensino do país é o pretexto número um. Ele tem sido o “mordomo” desde que foram inventados o giz e a lousa nesta terra de Vera Cruz. O que os nossos renomados pedagogos e analistas educacionais não costumam admitir é que a escola, como elemento responsável pela instrução, faz a sua parte. Seguir o que ela prega, porém, parece ser o grande “calo” dos seus discípulos, que pretendem em uma semana recuperar o que negligenciaram durante bons anos.