
Francisca Santos Pereira percorre
a pé, todos os dias,
de dez a quinze quilômetros para vender seu produto
Rose Farias
Fotos: Marcos Vicentti
Na
chamada economia informal encontram-se todos os dias cidadãos que se
valem das mais criativas formas para suprir a própria sobrevivência
e a da família.
Um entre os tantos exemplos está bem representado pela ex-lavadeira e dona-de-casa Francisca Santos Pereira, natural de Jaguaretama (CE), nome que ela faz questão de explicar, com seu jeito falante, que quer dizer “riacho de sangue”. Francisca e a família trocaram o sertão do Ceará, onde costumavam passar fome, pelo Acre há mais de 20 anos.
Hoje, já casada e com um casal de filhos, Francisca é o que se pode chamar de mulher guerreira. Foi vendedora de picolé, lavadeira e faxineira e, diz que se tiver que passar por tudo de novo para garantir o sustento da prole não mede esforços. Mas, a vida dura dos Pereira teve uma mudança significativa há dois anos, após Francisca ter às mãos uma receita de bala de gengibre. No início ela conta que não apostou na receita como forma de sobrevivência para a família.
“Achei que não ia conseguir fazer a bala e que seria difícil a venda. Mas não imaginei que aceitação fosse boa. Comecei vendendo aos vizinhos, depois passei para bairros próximos ao Novo Horizonte e hoje vendo em tudo que é canto da cidade”, conta.
De porta em porta, as balas
de gengibre ganham o mercado
Todos os dias, de segunda a domingo Francisca cumpre uma rotina que inclui percorrer cerca de dez a 15 quilômetros a pé, do Novo Horizonte ao centro de Rio Branco. Na sacola cerca de 50 saquinhos de bala de gengibre, onde diz costumar vender não menos que 30 deles ao preço de 1 real cada.
“Acordo e às seis e meia parto para o centro com a sacola de balas. Até lá entro em tudo que é oficina, vendas, bares, mercearias e outros, oferecendo meu produto, que é cem por cento natural. Saio com os saquinhos de bala e graças a Deus retorno sem eles. Hoje, por exemplo, vendi cem reais”, discorre a ex-lavadeira, adiantando que costuma arrecadar 500 reais por mês, valor que é utilizado para o sustento de toda a família.
Com essa garra a serelepe artesã e quituteira, vai conquistando o duro mercado e adianta que seu produto é de qualidade, pois segundo ela conseguiu descobrir à preferência de sua clientela.
“Minha bala tem mais gengibre que açúcar. Além disso, costumo acrescentar mel e, em algumas, copaíba. Meus clientes adoram. Sei que meu produto pode competir no mercado com outros”, diz, acrescentando que suas ‘balinhas’ já foram comercializadas para a Itália, Rio de Janeiro e São Paulo.
Sonhos? Muitos. Entre eles, Francisca diz que não ver a hora de um dia poder montar um ponto de venda, criar sua marca e embalagem e que suas balas de gengibre ganham o mundo.
“Com isso vou poder reservar um futuro melhor para meus filhos e ter um lugar mais decente para morar. E vou conseguir, só peço a Deus saúde e que o Acre cada vez mais cresça, pois a gente pode crescer junto, não é?”, revela confiante.
A quituteira ensina a receita
“Gengibre,
açucar e limão. Tudo junto na panela. E mexe e mexe, e para
saber se está no ponto ideal basta pegar um copo com água e
colocar um pingo da mistura, se endurecer de imediato está pronto a
massa. Depois é puxar e esticar, repetindo a dose até a massa
adquirir consistência. Está pronto. E o próximo passo
é esticar a massa em filete para o corte no formato das saborosas balinhas.
Depois embalar e botar o pé na estrada para vender”. Encomendas:
225-1808