
A Petrobrás recebeu garantia de que a política de preços permanece a mesma: o preço interno vai seguir a cotação internacional. O petróleo subiu 37% desde o fim de novembro. A perspectiva é de novas elevações nas próximas semanas, mas a alta não terá muito fôlego. A Rússia nunca produziu tanto quanto agora e a demanda está fraca porque o mundo não cresce.
O mercado de petróleo já trata do butim da guerra do Iraque. Os sites especializados estão cheios de análises sobre como será a exploração de petróleo no país, após a vitória americana.
O Iraque tem a segunda maior reserva provada do mundo, perdendo só para a Arábia Saudita. São 113 bilhões de barris, dos quais 35 bilhões podem ser explorados rapidamente, informa o Oil & Gas Journal.
A capacidade de produção e a infra-estrutura de transporte, no entanto, estão seriamente comprometidas pelos treze anos de embargo. A logística do país tem gargalos importantes e, por isso, os especialistas calculam que será necessário um investimento de US$ 30 bilhões para aumentar a capacidade de fornecimento do Iraque depois da guerra. Mas as reservas garantirão o produto por décadas.
O preço do petróleo subiu, mas, segundo a direção da Petrobrás, há sinais de que este preço não se manterá por muito tempo.
— As companhias não estão fazendo estoque, apesar da perspectiva de alta do preço a curto prazo, isto porque sabem que, no futuro, o preço vai cair — avalia Rogério Manso, diretor da Petrobrás.
Um fator que piorou o quadro foi a crise da Venezuela.
— O petróleo venezuelano está a cinco dias de navio dos Estados Unidos, o árabe está a 45 dias, portanto, o ideal é que a Venezuela volte ao normal — diz Manso.
Vai demorar. O país está aumentando lentamente a produção, mas precisa de meses para normalizar o fornecimento. E a Venezuela produz mais que o Iraque. Os países da Opep aumentaram a produção, mas apenas conseguiram suprir a falta da Venezuela.
O fator novo nesta guerra — em comparação com a do Bush pai — é a volumosa produção russa. Desde a desvalorização de 98, o desenvolvimento do setor de petróleo na Rússia deu um salto. Os altos preços do petróleo sustentaram a recuperação da economia. Segundo a The Economist, o Tesouro russo está com tantas reservas que, mesmo que o petróleo caísse para 1/3 do preço atual, o governo central fecharia o ano com suas contas equilibradas. Óleo e gás correspondem a quase metade das exportações. Mas análises feitas pelo Banco Mundial em 2001 e 2002 mostram que o crescimento em outras áreas, que não o setor petrolífero, foi pífio. A OAO Lukoil, maior companhia russa do setor, está estimando um aumento significativo na produção de petróleo com a prospecção de novos poços no Ártico e Mar Cáspio. A Rússia hoje vive do petróleo e, segundo a revista, não está aproveitando bem a riqueza temporária. Uma velha maldição dos países petrolíferos; a Venezuela que o diga.
A produção russa, o baixo ritmo de crescimento mundial, os estoques estratégicos, tudo indica que a alta dos preços do petróleo pode ser apenas temporária. Mas o repasse para os preços internos vai bater num nervo exposto: a inflação. A hipótese de não repassar os preços bate em outro nervo exposto: a arrecadação do governo. Ele conta com a Petrobras — e não com as elétricas — para ter o superávit previsto para o setor de 0,7% do PIB.
A guerra cria dilemas para o Brasil e apresenta aos novos governantes um fato que eles sempre desprezaram quando eram oposição: o choque externo.
Assunto da pauta
A embaixada brasileira nos Estados Unidos mede o espaço que o Brasil recebe na imprensa americana.
Subiu muito em janeiro, com a posse do presidente Lula. O Brasil foi assunto de 136 artigos, editoriais e reportagens. Isto sem falar de textos nos quais o país é citado, como nas matérias sobre Venezuela, em que o Brasil aparece extensamente. Um assunto que recebeu muita atenção foi o Fome Zero.
O campeão em textos sobre o Brasil foi justamente o mais influente jornal na comunidade financeira. O Wall Street Journal publicou 46 reportagens, três a cada dois dias. O New York Times e o Miami Herald publicaram 20 textos cada um. O assunto esteve presente na imprensa regional.
Segundo a avaliação da embaixada, do que foi publicado, 19 textos foram negativos, 39 neutros e 78 positivas.
CONTAS do cientista político Fabiano Santos, do Iuperj: “A coalizão do governo Fernando Henrique tinha 60% da Câmara, com quatro partidos; a atual coalizão tem 49%, com nove partidos”.
CONSTATAÇÃO do cientista político, Alberto Carlos de Almeida, da FGV: “No governo anterior, a Fazenda e a Casa Civil eram dirigidas por técnicos; hoje, por dois políticos que têm ambições para as próximas eleições”.
LEMBRANÇA do jornalista britânico, Robert Fisk, em entrevista a Marcos Uchôa da TV Globo: “Em 83, viajei em um trem que levava soldados iranianos atingidos por gás tóxico iraquiano. Enquanto isso, um representante americano cumprimentava Saddam Hussein na abertura da embaixada em Bagdá. Era Donald Rumsfeld, atual secretário de Defesa americano”.