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Rio Branco - Acre, sábado, 15 de fevereiro de 2003
Isnard, Jorge e Heloísa

Aldo Nascimento *

No último dia 30 de janeiro, a foto de J. Diaz precisou um momento único na chamada de capa do Página 20. Prefeito de Rio Branco, do PPB, e governador, do PT, juntos, no Palácio Rio Branco.

Mas o fotógrafo, antes, interpretou o acontecimento. O diafragma de sua máquina se abriu justamente no instante em que Isnard Leite e Jorge Viana passavam sobre uma Estrela (será do PT?), gravada no piso de um dos corredores do Palácio.

Diaz poderia ter congelado o momento sobre um piso neutro, sem margem a interpretações, mas preferiu que não fosse assim. Sob os pés de Jorge Viana, da Frente Popular, e dos pés de Isnard Leite, do MDA, a Estrela sustenta dois poderes.

Assim, com a cabeça erguida, o governador aparece feliz, olhando, à sua direita, um poder municipal apático, triste. Isnard está de cabeça baixa. Mas, sobre a Estrela, a face de Jorge brilha, irradia contentamento. Jovialidade.

Isnard Leite já é um senhor de idade. Calvo. Cabelos grisalhos. Sua face revela rugas. O MDA, eu vejo, envelheceu. Perdeu o mouse da história. Tem que descansar na varanda da história e se lembrar do que não fez.

Pela foto, percebe-se ainda: o Estado veste-se bem, está alinhado com o futuro. O mesmo já não se pode dizer da Prefeitura. Sua falta de elegância representa o passado troncho do MDA.

Por último, olhando o abdômen de Jorge Viana na foto, podemos afirmar que o governo encontra-se em forma. Isnard Leite... Bem, a Prefeitura possui uma saliente barriga. Relaxou. E...

...mudemos de assunto. O PT sempre teve orgulho de sua pluralidade interna, porque, para o Partido, a democracia emite vários sons. Isso é muito bonito, lindo, mas desde que o PT não seja poder.

O poder possui sua própria natureza, e uma delas é a Unidade. Mas nada que se assemelhe ao Centralismo Democrático do PC do B. Existem individualidades que não se encaixam a essa unidade. Estou a falar da sedutora senadora Heloísa Helena, do PT.

Conheço um partido radical que pregava (ou ainda prega, calado) a Ditadura do Proletariado e o fim do Estado. Hoje, no entanto, negocia com empresários e parte de sua militância ganha muito bem como DAS. O poder seduz.

Não cultivo simpatia pela esquerda radical, mas confesso que a senadora, em alguns aspectos, tem razão. “O poder é terrível. A gente precisa fazer um exercício diário para não se deixar seduzir por ele”, declara Heloísa na VEJA de 29 de janeiro.

Nesse aspecto, o radicalismo faz sentido. O poder precisa, sempre, ser questionado. Precisamos nos sentir sempre incomodados com a sua presença, mesmo sendo do PT. Continua a petista Heloísa Helena.

“Você está no aeroporto e vai para a sala vip, é convidada para viagens internacionais, tem as estruturas e bajulação que se montam em torno de você, todas as possibilidades que se abrem por causa de seu cargo. É por isso que lá em casa eu digo para os meus filhos: não tem essa história de sala vip nem de filho de senadora”.

Seja qual for o governo, ele deve estar todo tempo sob o crivo da crítica e da desconfiança, porque, assim, evitaremos que “companheiros” e “camaradas” vistam-se de vaidades.

É, senadora, a luta continua.

*sisifu@uol.com.br

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