
A resposta definitiva para esta pergunta é um claro, sonoro e preciso “não”. Desde sua ocupação, no início do século XIX, a porção geográfica que hoje corresponde à capital acreana foi palco de um desfilar de conquistas e derrotas políticas, intervenções, intromissões e intrigas palacianas. A rígida divisão social, herança maldita de um país altamente inflacionário, patrocinou um apartheid velado que sempre complicou a organização de políticas públicas nascidas voltadas aos povos da floresta.
Esse conflito na organização coletiva alimentou muito o surgimento, desenvolvimento e fragmentação de oligarquias antagônicas na política local, grupos cuja dinâmica de movimentação na história tem sofrido um justo questionamento, principalmente quanto à questão de sua validade enquanto expressão popular.
O mais importante de tudo isso é também infelizmente trágico. A fragmentação (a social e a política) e os embates que se seguiram na história recente da democracia não contribuíram em nada para o progresso coletivo. Na verdade, segundo alguns, nem poderiam. Voltadas para o próprio umbigo, para a defesa dos próprios interesses - quase sempre, mesquinhos, ufanistas - essas ideologias, esses partidos acabaram por patrocinar ainda mais o distanciamento das classes sociais.
O resultado desta salada sociopolítica foi uma economia de subsistência, um povo cansado, um anti-patriotismo crescente e uma vulnerabilidade imensa à marginalização.
Isso faz lembrar algo?
Se faz, é preciso perceber que hoje há uma porta se escancarando para a mudança. Há deficiências na proposta, naturalmente. Mas é o melhor caminho, no momento. Para todos os acreanos.