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Rio Branco - Acre, domingo, 16 de fevereiro de 2003

Governo do povo da floresta

Francisco Ashaninka na Secretaria dos Povos
Indígenas do Acre; marco da história contemporânea

Flaviano Schneider

A solenidade de posse de Francisco Ashaninka como titular da Secretaria dos Povos Indígenas atraiu ontem ao salão nobre do Palácio Rio Branco representantes das 16 etnias do Acre e Sul do Amazonas. Foi uma festa histórica e colorida. “Vamos tratar com respeito as diferenças dos povos que formam o Acre”, afirmou o novo secretário, primeiro no idioma de sua tribo e depois em fluente português.

O governador Jorge Viana aproveitou a ocasião para sancionar o projeto de lei, de autoria do deputado Edvaldo Magalhães (PC do B), que institui o Conselho Indígena do Acre. A criação do conselho foi aprovada pela Assembléia ano passado.

“Ele deliberará sobre as políticas públicas em favor dos nossos irmãos indígenas. Será uma espécie de Assembléia Legislativa indígena”, explicou Magalhães, para quem a instalação da Secretaria dos Povos Indígenas é um fato marcante na história contemporânea do Acre a chamar a atenção do Brasil.

“O governo da floresta agora é, também, o governo do povo da floresta”, afirmou o governador Jorge Viana. Os índios, como costumavam fazer em ocasiões especiais, estavam com os trajes típicos, principalmente os ashaninka, que se pintaram, vestiram kusmas e usavam adereços com penas e colares típicos.

O índios apresentaram cânticos tribais e uma banda de tambores no jardim interno do Palácio e, ao final, reuniram os parentes de várias aldeias para bailar o mariri.

O governador Jorge Viana assinalou a gratidão da população branca em relação à sabedoria ancestral dos indígenas, que foram os primeiros habitantes da terra acreana. “Chico Mendes se inspirou na organização indígena para liderar um movimento social reconhecido mundialmente”, disse.

A história da colonização do Acre foi muito cruel com as populações indígenas, que foram quase totalmente dizimadas perlas correrias – a matança organizada das tribos. Jorge relembrou que até recentemente os índios não tinham vez nem voz nos governos do Acre, eram desrespeitados e nunca tiveram reconhecidos seus direitos.

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