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Rio Branco - Acre, domingo, 16 de fevereiro de 2003

Poronga lança luz na educação e exibe
visão inovadora da realidade acreana

Veja como um projeto local pode ser reconhecido
nacionalmente porque mostra a faceta do Brasil atual

Itaan Arruda Dias

A primeira edição do jornal carioca “O Globo” trazia o Acre como principal pauta. Com a frase “Voltam-se os olhos para a nossa borracha”, todo o país ficou sabendo da importância que o látex tinha para a realidade acreana e para a economia nacional. Em situação semelhante, o Brasil passa a voltar os olhos para o Acre, mas agora o motivo passa a ser outro. O Projeto Poronga coloca outra luz sobre o processo de aprendizagem e sobre a maneira como a Escola e o poder público devem tratar a Educação de agora em diante.

“As nossas conquistas, nós só conseguimos juntos e se todos vocês têm uma história de sofrimento no passado, esse diploma entregue hoje pede um novo futuro cheio de vitórias”, afirmou o governador Jorge Viana, no encerramento do evento. José Roberto Irineu Marinho foi breve em seu discurso. Ele se disse emocionado em ver como a Educação no Acre mobiliza as pessoas de uma forma tão envolvente. “É impressionante o carinho recíproco entre o governante e o seu povo”, afirmou Marinho.

A formatura dos 2.630 alunos do Projeto Poronga foi feita na tarde de ontem na sede campestre do Sesc. A parceria entre o Governo do Estado do Acre e a Fundação Roberto Marinho resultou em mudanças importantes que devem ser analisadas de forma a que todos os leitores tenham uma clara idéia do que representa a chegada de um dos mais importantes executivos dos meios de Comunicação do país no estado e em que isso tem contribuído para a melhoria na Educação estadual.

José Roberto Marinho é um dos homens mais ricos e importantes do país. A história da Família Marinho se confunde com a história recente do Brasil em muitos momentos. José Roberto poderia estar em muitos lugares do mundo, mas resolve dedicar parte de seu tempo a vir ao Acre diplomar os mais de 2,6 mil estudantes do Projeto Poronga. São vários os fatores que concretizaram essa vinda extraordinária do executivo. O jornal Página 20 destaca alguns que o leitor não pode deixar de atentar para poder entender as causas das mudanças porque passa a o Estado do Acre, seja do ponto de vista institucional ou político.

Fundação Roberto Marinho
amplia parceria em educação

A primeira causa da vinda do principal staff da Fundação Roberto Marinho para o Acre é um recado claro que a instituição quer mostrar para o país. Destaca-se:

1) fortalecer o conceito no povo brasileiro de que a Educação faz parte de um processo importante não só para “emancipar o cidadão”, mas também para a procura individual por uma liberdade que começa, atualmente, pela busca do conhecimento formal, acadêmico;

2) Marinho rompe com aquela idéia ortodoxa de que lugar de executivo que se preza é longe do contato com o povo. Há uma tendência natural dentro dos meios empresariais de que a conciliação entre o conhecimento teórico e os aspectos intuitivos e de proximidade com as pessoas são fundamentais para o bom gerenciamento de negócios. José Roberto mostra ter entendido essa mudança;

3) A sociedade contemporânea tem buscado alternativas para as soluções cuja presença do Estado se mostra enfraquecida. As inúmeras fundações espalhadas por todo o mundo são reflexos, também, de algumas espécies de lacunas que os Estados deixam, desde que os países centrais adotaram estruturas gerenciais alinhadas com um novo modo liberal na condução das políticas econômicas. Com a diminuição, por parte dos Estados, de investimentos nas áreas sociais, as Fundações têm cumprido um papel importante no preenchimento desse vazio. A Fundação Roberto Marinho está inserida nesse contexto: busca uma solução para uma série de carências. Os governos estaduais que souberam compreender isso, e formularam parcerias, têm agora o retorno do investimento. E aí se enquadra o Projeto Poronga e a lógica do Governo da Floresta.

Entrega de diplomas é marcada pela emoção

Na cerimônia de diplomação dos 2.630 alunos do projeto Poronga, o ginásio de esportes do Sesc estava completamente lotado. As autoridades que entregaram os documentos eram saudadas como se fossem astros do futebol. Com o objetivo de diminuir a defasagem na relação idade-série dos estudantes. Dos quase 3 mil alunos, 97,7% foram aprovados, um reflexo dos mais de 90% de freqüência. O índice de freqüência dos alunos de um projeto como esse é importante porque reflete o envolvimento de cada aluno que trabalha o durante o dia e estuda no período noturno.

A estudante Rizângela Pereira de Oliveira, 18, conseguiu concluir o ensino fundamental no Projeto Poronga. Grávida de sete meses, Oliveira afirma que a importância do Poronga no seu processo de aprendizagem guarda relação com a vida de seu filho. “Com o diploma e com a continuidade de meus estudos, tudo fica menos difícil para este que carrego comigo”, afirmou em meio ao barulho e olhando alegre para a barriga ainda pequena. Outra estudante dedicada que se formou era Francisca da Silva, 33. Sem o Projeto Poronga, ela não teria como concluir os estudos , abandonados há mais de 10 anos. A seriedade com que ela fez o juramento teve o peso do esforço da dedicação aos estudos.

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