© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, domingo, 16 de fevereiro de 2003

Cedida

Rio Branco, 1973. Em pé, da esquerda para a direita: Stélio, Mário Vieira, Illimani, Guerreiro, Cleiber e Russo. Agachados: Nostradamus, Ely (destaque), Bruno, Ronildo e Laureano

Ely: artilheiro toda a vida
com a camisa do Estrelão

Craque foi descoberto pelo Rio Branco no futebol de Boca do Acre

Francisco Dandão

Aos 17 anos, em 1969, no município amazonense de Boca do Acre (cerca de 280 quilômetros de Rio Branco), o garoto Ely de Souza Santos já era tido como um dos mais completos atacantes da cidade. Habilidoso com a bola nos pés, veloz e com raro senso de oportunismo, ele marcava um gol atrás do outro, para alegria dos seus admiradores e desespero dos inimigos.

No dia 5 setembro de 1971, o então poderoso Atlético Clube Juventus, da capital acreana, provou do veneno do artilheiro. Numa excursão à Boca do Acre, o Clube do Povo, que vinha de uma estupenda vitória sobre a Rodoviária, campeã amazonense, amargou uma derrota para a seleção da cidade por 1 a 0, com o gol sendo marcado justamente por Ely.

Dois dias depois, na data dedicada à pátria, inconformado pelo revés, o Juventus pediu revanche. Dessa vez, deu para empatar: 1 a 1. O gol da seleção de Boca do Acre? De Ely, claro. Daí para a frente a fama dele correu o mundo e sua cidade natal ficou pequena. Tanto que, pouco mais de um mês depois, em 18 de outubro, o Rio Branco foi buscá-lo. Detalhe: num avião fretado.

Do interior do Amazonas para a estréia no Estrelão foi o espaço só de uma semana. Ely começou o jogo no banco de reservas. Antônio Leó, o técnico do Rio Branco, o colocou no segundo tempo. Pior para o Vasco da Gama, o adversário daquela tarde no “José de Melo”. O jovem craque entrou com todo o gás, fez o seu gol e ajudou o seu time a vencer por 3 a 1.

No Rio Branco, de outubro de 1971 ao final de 1983, quando resolveu que era hora de pendurar as chuteiras, Ely viveu uma grande história de sucesso, marcando uma infinidade de gols. Nesse período, os convites para mudar de clube foram muitos. “Eu jamais aceitei, porque tudo o que eu podia almejar no futebol, o Rio Branco me deu”, afirma o ex-craque.

Cedida

Seleção da FAD, 1976. Em pé, da esquerda para a direita: Zé Carlos, Cleiber, Tadeu, Illimani, Russo e Pintão. Agachados: Ely, Zé Gilberto, Waldir Silva, Ronildo e Anízio

Campanhas brilhantes no Copão da Amazônia

Ely se confunde quando tenta falar sobre os títulos estaduais e de torneios (Início e do Povo) que conquistou jogando pelo Rio Branco. Mas é preciso em se tratando do Copão da Amazônia. “Ganhei duas vezes, em 1976, aqui mesmo no Acre, e em 1979, em Porto velho”, diz.

Para ele, o título do Copão de 1976 teve um sabor especial, por ter acontecido em cima do Juventus. “Eles tinham um time fantástico e ainda abriram o placar contra nós. No final, conseguimos virar para 2 a 1, com um gol do Mário Vieira e outro meu, aos 43 do segundo tempo”, explica.

“O Copão de 1979”, continua Ely, “o que teve de bom foi o fato de ter sido conquistado fora de casa. A final foi contra o Ferroviário. Nós ganhamos por 1 a 0, gol do Bruno Couro Velho e eu terminei a competição como artilheiro. Nesse ano, aliás, o Estrelão ganhou todos os títulos que disputou”.

Cedida

Ely com o amigo e medalhista olímpico Carlão

Os maiores nomes do futebol
acreano na opinião de Ely

Para Ely, ninguém foi melhor técnico do que Antônio Leó. “Além de acreditar no meu potencial desde o primeiro momento, ele sempre me impressionou pela franqueza e lealdade. Era um cara que conhecia muito de futebol, tinha as suas convicções e não abria para ninguém”.

Quanto à indagação de quais teriam sido os melhores jogadores do futebol local, Ely só arrisca uma escalação depois de muitos minutos de reflexão. Os titulares dele seriam os seguintes: Illimani; Mauro, Neórico, Chicão e Antônio Maria; Emílson, Tadeu e Dadão; Ely, Nino e Elízio.

Mas, fora esses ainda fez questão de citar Mário Vieira, Carlinhos Bonamigo, Bico-Bico, Zé Augusto, Duda, Cleiber, Julião e Roberto Quitola.

Futuro está nas categorias de base

Prestes a completar 51 anos (ele nasceu em 10 de julho de 1952), trabalhando como coordenador de interior na TV Acre, Ely diz que só vai ao estádio José de Melo quando tem jogo importante do Rio Branco.

“Não vou muitas vezes”, faz questão de explicar, “porque não vejo mais a motivação de antigamente, quando o estádio lotava e os jogos, principalmente os clássicos, se transformavam numa verdadeira festa”.

Na opinião do ex-jogador, essa desmotivação decorre em grande parte da falta de talentos. Situação que pode ser corrigida no futuro com o investimento dos clubes nas categorias de base. “Sem isso, a coisa vai ficar cada vez mais feia”, conclui em forma de sentença.

Colunas
Cotidiano
Expediente
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal