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Rio Branco - Acre, sábado, 22 de fevereiro de 2003

Lucro de taxistas é afetado pela alta
de preços da gasolina em Rio Branco

Promessa de novo reajuste deixa categoria preocupada; população prefere moto-táxi ou ônibus

Samara Castro

Os constantes aumentos do preço gasolina estão criando sérias dificuldades para os 600 profissionais de Rio Branco cadastrados no Sindicato dos Taxistas e Condutores Autônomos. Alguns pensam em desistir da profissão, desestimulados pela margem reduzida de lucro.

Os preços das bandeiradas, que variam de R$ 2,16 a R$ 3,61 opor sua vez está afugentando os clientes, que optam pelos serviços dos mototaxistas ou das empresas de transporte coletivo.

“É um absurdo. Se hoje eu dependesse do dinheiro da corrida para sustentar minha família, já teria desistido do ramo”, afirma o taxista Manoel Nobre, 63, ao saber que a gasolina, que custa hoje R$ 2,58, poderá ter novo reajuste dentro de 15 dias.

Nobre é um dos vários taxistas que há bastante tempo não sabe o que é lucro. Segundo ele, dos 28 anos em que trabalha na área, nunca passou por aperto tão grande como os dos últimos dois anos, quando aumento da gasolina se tornaram freqüentes.

Nobre conta ter criado três filhos apenas com o dinheiro obtido com as corridas de táxi. “Agora, as coisas estão ficando cada vez mais difíceis, a ponto de muitas vezes sair para trabalhar e não conseguir nenhum cliente”.

O problema, ressalta o motorista, são os constantes aumentos do combustível e as várias taxas que têm que pagar para que circulem na cidade de acordo com das normas exigidas.

“Antigamente, eu tirava R$ 700 para pagar o carro e ainda ficava com um lucro líquido de R$ 200,00 o R$ 300,00 por dia. Hoje, quando muito ganho R$ 20,00. Tenho que comprar um carro novo, mas com o que tiro diariamente não dá para pagar um consórcio e não tenho condições de comprar a vista”, lamenta.

O taxista acha desnecessário pagamento de tantas taxas. O dinheiro que consegue no final do mês é pouco, e como tem que tirar dinheiro para a manutenção do carro, o pouco lucro fica reduzido a quase nada.

Usuários preferem outro transporte

As pessoas que costumam usar táxis em Rio Branco estão assustadas com os preços praticados na cidade. Hélio Cavalcante, 29, morador do Segundo Distrito, afirma que há quatro anos tinha o hábito de ir para o trabalho de táxi, mas com o aumento do preço da corrida e com a chegada dos mototaxistas, deixou de usar o transporte.

“Eu deixei de andar de táxi por causa do preço. Está muito caro. Não tem bolso que agüente. Hoje, eu vou para o trabalho de moto-táxi, mesmo sendo mais arriscado, pois tenho que sair de casa quando ainda está escuro e ainda não tem ônibus no horário”, explica.

Cavalcante conta que há duas semanas, quando saia de casa em direção ao Tucumã, chamou um táxi e na hora de pagar a conta ficou surpreso com o valor da corrida. “Eu tive que pagar R$ 21,00 por menos de 10 minutos de viagem.”

Para Diogo Carvalho, 24, natural do Rio de Janeiro, o valor da corrida de táxi no Acre, é extremamente alto. Quando chegou em Rio Branco, há quase um mês, notou que ao circular pouco tempo de táxi, para conhecer um pouco da cidade, teve que pagar um valor que ele considerou abusivo. “O problema não é tanto o valor, mas é porque eu paguei um alto preço e não rodei quase nada”, explica.

Para o presidente do Sindicato dos Taxistas e Condutores Autônomos do Estado do Acre, Raimundo Pereira, o preço é justificável. Segundo ele, com o aumento de tudo, em especial do combustível, tivemos que aumentar o valor de nossas taxas.

“O valor que aparece no visor do taxímetro é multiplicado por 40%. Ou seja: no taxímetro, o valor que de R$ 15,00, com o acréscimo de 40%, são cobrados mais R$ 6,00”, justifica.

O economista Chagas Melo explica que um dos motivos dos constantes aumentos no preço é a compensação da redução nas substancias adicionadas aos combustíveis. “Como o barril é comercializado no mercado internacional em dólar, qualquer mudança na moeda americana afeta o mercado petrolífero. Esses são os principais motivos de tantos reajustes”, acrescenta Melo.

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