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Rio Branco - Acre, terça-feira, 25 de fevereiro de 2003
Jornal melhor

Altino MachadoLeitores do Página 20 têm elogiado a qualidade das edições do jornal nas últimas duas semanas. Vale o registro de que a melhora é resultante da experiência profissional do jornalista gaúcho Jorge Gallina (foto), novo editor-chefe, que lidera uma equipe entusiasmada para consolidar o jornal em mensageiro da florestania.

Gallina, que hoje completa 50 anos, exerce a profissão há 30 anos. Trabalhou no Zero Hora e na sucursal da Gazeta Mercantil, em Porto Alegre, depois mudou para a Gazeta Esportiva, em São Paulo.

Após anos de trabalho como repórter, decidiu se especializar no desenvolvimento de projetos gráficos, tendo trabalhado para várias publicações brasileiras.

É dele, por exemplo, o projeto que confere visual moderno ao Página 20 desde o ano passado.

Velho apaixonado pela Amazônia, especialmente pela florestania, Gallina decidiu trocar São Paulo pelo Acre. Ele, que ainda não teve tempo de beber água do rio Acre, afirma:

- Vamos procurar dentro da comunidade pessoas ou entidades que tenham uma forte relação com o desenvolvimento regional. Queremos incentivá-las a permanecer construindo a história tão rica do Acre. Vamos ajudar a proteger o Governo da Floresta, porque ele é a expressão revolucionária do movimento popular acreano. Faremos tudo isso sem abdicar da ética e das regras elementares do jornalismo.

Kambô: a vacina do sapo faz bem

Altino MachadoTomei Kambô, a vacina do sapo, aplicada em nove pontos de meu braço pelo seringueiro e curandeiro Davi de Paula Nunes, 28 (foto), que vive na comunidade do rio Croa, em Cruzeiro do Sul.

Posso testemunhar enorme bem-estar e disposição desde que meu organismo absorveu a substância altamente tóxica que o pequeno sapo verde (Philomedusa tarsius) usa como defesa contra predadores.

Os índios e seringueiros usam a vacina natural contra a panema – estado durante o qual se sentem com pouca sorte ou disposição para caçar, pescar ou namorar.

Davi acendeu a ponta de uma haste de cipó titica e fez nove pequenas queimaduras no meu braço para aplicar a secreção do sapo.

A partir da terceira aplicação, os vasos linfáticos transportaram a substância por toda a corrente sanguínea e o efeito começou. Senti forte onda de calor subir pelo corpo até a cabeça. A dilatação dos vasos sanguíneos pareceu ter tornado a circulação do sangue mais veloz.

O coração parecia bater mais acelerado. Meu rosto ficou bastante vermelho, depois muito pálido, a pressão baixou e senti ânsia de vômito, mas não tive diarréia.

Experimentei a sensação desagradável, de profunda fraqueza física, durante uns 15 minutos. Suei frio. Durante o tempo que durou o efeito, a respiração se manteve normal.

Depois disso tudo, senti uma sensação renovada de bem-estar e ânimo. Posso compreender melhor o ensino dos curandeiros de que saúde é um estado de bem-estar e de harmonia com a natureza.

O seringueiro Davi Nunes me explica que o Kambô está sendo pesquisado cientificamente e que já foram encontradas propriedades antibióticas, sendo demonstrado o efeito no fortalecimento do sistema imunológico.

Em São Paulo, o psiquiatra Wilson Roberto Gonzaga da Costa, pesquisador da medicina indígena, testa a eficácia do Kambô. O médico quer saber se o composto tem mesmo efeito contra a depressão e se funciona como uma espécie de vacina de ânimo natural.

O Governo da Floresta bem que poderia organizar ou facilitar a formação de postos de atendimento de saúde com o saber das populações tradicionais.

Anima saber que o senador Tião Viana esteja disposto a submeter Davi Nunes a exames na Universidade de Brasília durante o efeito da vacina, que foi revelada ao mundo pelos índios katuquina e que já foi devidamente patenteada por um espertalhão estrangeiro.

Altino Machado


 

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