
Mulheres faturam alto vendendo jóias e bijuterias no centro da capital
Pequenas empresárias usam automóveis como vitrines para conquistar clientes e ganhar mobilidade
Josafá Batista
Uma nova estratégia de mercado, oriunda das megalópoles sulistas e nordestinas, desembarcou em Rio Branco há dois meses. E não é para curta temporada. No centro da cidade, ao lado de seus automóveis repletos de badulaques e acessórios femininos (folheados a ouro ou não), as vendedoras Liane Maria de Matos Félix, 36, e Maria José Maia, 41, prometem continuar por muito tempo no ofício que vem rendendo muito dinheiro e atraindo centenas de compradores e curiosos.
Por onde passam, as vendedoras chamam a atenção pela originalidade do automóvel-vitrine. Anéis, gargantilhas, brincos, pulseiras, cordões e uma infinidade de outros artigos são vendidos com até 30% de desconto, encantando fregueses - principalmente freguesas - de todas as idades e o que é melhor: de vários bairros, na porta de casa, com toda a comodidade da loja que vai até o cliente.
“Quando comecei não tinha qualquer pretensão de inovar, só possuía várias mercadorias paradas desde o natal, porque alguns clientes acabavam não pagando e eu tinha que receber alguma coisa para poder comprar mais. Então resolvi usar o carro do meu marido, que o utilizava para deixar crianças nas escolas. Não dava muito dinheiro mesmo. Hoje ele está desempregado, mas nós ganhamos muito mais que antes. Até o nosso padrão de consumo melhorou”, explica Liane Maria.
A dinâmica do negócio de Liane garantiu-lhe uma clientela fixa em diversos bairros, mas ela também atende no centro de Rio Branco, em pontos fixos da avenida Epaminondas Jácome, próximo à agência matriz dos Correios. A demanda considerável obrigou a pequena empresária a contratar mais uma funcionária, que trabalha direto com os clientes. Ambas são responsáveis por um lucro médio de 50 reais ao dia.
Calçados e bolsas de couro na porta de casa
Comodidade, bons preços e simpatia. É a fórmula de Maria José Maia, que ontem vendia ao lado de Liane, como duas grandes empreendedoras conscientes da própria originalidade comercial. Maria José também possui um ajudante, que costuma auxiliar apenas nos momentos de pico, quando o volume de mercadoria mal consegue dar conta da curiosidade da clientela.
“Muita gente não sai de casa para comprar porque não tem tempo ou porque precisa pesquisar o valor do produto antes de comprar. No meu caso essa matemática é mais simples, porque não tenho gastos fixos com a sede da loja e outros encargos financeiros. Por isso, posso vender mais em conta e até oferecer ao cliente algumas promoções consideráveis”, explica Maria.
Para diferenciar-se da colega concorrente, a vendedora inovou acrescentando outros produtos ao mostruário de seu veículo, um Kadett vermelho. Bolsas, sapatos e coldres, entre outros produtos, de várias marcas e tamanhos, com qualidade e procedência garantidos.
Os produtos adquiridos são levados à porta de casa, no Kadett. Mas geralmente, onde chegam, causam frenesi. A vendedora e seu auxiliar, fatalmente, costumam demorar-se um pouco mais. “Hoje tenho uma lista de clientes que costumam comprar para parentes e amigos. Há outros também que nos procuram para comprar no atacado. Quando tenho, vendo mesmo”, explica Maria.
Um dos pontos de maior circulação de vendas é o Parque da Maternidade, no Segundo Distrito, onde, aos finais de semana, os fregueses costumam mostrar-se mais ávidos às compras.
“Muitas mulheres estão com as amigas, que se interessam e avisam outras. E assim vai. Também no Parque já recebi diversos convites de representantes de fábricas para revender seus produtos. Eles sabem do sucesso que essa modalidade de vendas desperta no Nordeste e Sudeste brasileiros”, conclui a pequena empresária.