
O anúncio feito ontem, em São Paulo, pelo governador do Estado e o ministro da Educação, dando conta de que o esforço de combate ao analfabetismo no Brasil e no Acre está mantido, é uma dessas notícias que qualquer jornal com o mínimo de compromisso com a cidadania gosta de dar. A proposta do Governo do Acre, à primeira vista, parece radical: pôr fim ao analfabetismo no espaço de três anos, um tempo exíguo se considerarmos que esta chaga data dos primórdios da própria ocupação do Acre, quando os homens enviados para explorar a nova terra estavam exatamente entre os que não tinham instrução alguma.
Mas o atual Governo, em atos quase sempre traduzidos na insuspeita força de vontade de seu governador, tem superado grandes obstáculos. O principal deles era o isolamento político imposto não tão-somente pelas elites que governavam o país, mas, sobretudo, pela irresponsabilidade de governantes que não demonstravam nenhum zelo com a história do Acre e a dignidade de seu povo. Como os tempos são outros, não será de admirar se o governo cumprir o desafio a que se impôs: acabar com essa vergonha de, na entrada do século XXI, ainda temos entre nós homens e mulheres incapacitados de conhecer seus direitos, uma vez que a letra, para eles, é literalmente morta.
O Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos, o Mova, é uma louvável iniciativa e que conta com a considerável participação da sociedade. O anúncio de São Paulo é uma garantia de que o projeto vai continuar, agora com a parceria da Pirelli, uma multinacional que tem sido exemplar parceira do Acre em projetos econômicos e que agora passa a investir em projetos sociais. É uma boa notícia.