

Blocos da Terceira Idade,
pachaços e mascarados, entre
outros foliões, prometem fazer o Carnaval na Gameleira
Espetáculo popular
Show de alegria no Folia da Gameleira - carnaval como antigamente
Rose Farias
Na sua origem, o Carnaval é uma festa de rua onde as pessoas jogavam água uma nas outras misturadas com farinha de trigo e, às vezes, cal. Em algumas cidades, a água foi substituída pela serpentina e pelo confete e depois também pelo lança-perfume, proibido desde os anos 60.
Como antigamente - No Acre, embalados pelo ritmo, como as marchinhas, o carnaval como antigamente tomava as ruas de Rio Branco e os salões dos clubes recreativos. Um dos mais tradicionais era o da Sociedade Recreativa Tentamen, onde os bailes eram animados por componentes da banda da extinta Guarda Territorial.
“Nessa época surgiram os cordões, as sociedades carnavalescas, blocos, ranchos e outros grupos de foliões que saíam às ruas para brincar e cantar quadrinhas anônimas, ao ritmo de instrumentos de sopro e percussão”, rememora antigo folião do Segundo Distrito, o empresário Edvaldo Silva.
Outro evento que marcava o período pré-carnavalesco eram as batalhas de confetes.
“As batalhas eram promovidas por iniciativas particular custeadas por comerciantes e pela própria população e chegavam a certa competição para exceder em organização e animação as iniciativas rivais.
Aconteciam em frente ao Palácio Rio Branco”, diz Helena Coelho, assídua frequentadora do carnaval de rua e dos bailes em clubes.
Os bailes mais tradicionais eram realizados no Rio Branco Futebol Clube e Tentamen. Um dos blocos mais famosos que costumava freqüentar os bailes carnavalescos era o Os 13, que abrigava foliões das famílias Dantas, Abrahão Felício, Rodrigues, Zaire e outras.
“Esse bloco saía do clube em Rio Branco em ‘via-sacra’ pelos outros clubes da capital, como Tentamen. Havia uma integração entre os brincantes e tudo corria na maior paz mesmo diante das diferenças políticas e partidárias”, conta a professora Lúcia Arruda.
A festa popular tomava conta de ruas, como a 1º de Maio, com os blocos, entre eles o famoso Chiquita Bacana, composto por moças da sociedade acreana. As fantasias variavam entre odaliscas, hindus, indianas, árabes, tirolesas, ciganas, índias e outras.
Folião independente
O governo do Estado justamente para estimular esse folião independente e anônimo a dar vazão à sua criatividade e resgatar o carnaval, criou o “Folia na Gameleira – carnaval como antigamente”, um evento que ano passado congregou durante a quina carnavalescas foliões de diversos bairros da capital, propôs à comunidade de Rio Branco momentos de animação inigualáveis. Esse ano os organizadores do evento prometem repetir a dose de sucesso.
O abre-alas do Folia da Gameleira 2003, acontece na próxima sexta-feira (28) com a apresentação do Grupo Folclórico Marujada, às 16 horas, blocos da Terceira Idade, sob o comando da Banda da Policia Militar, e os personagens Colombina, Pierrot e Arlequim e o bloco da cobra Grande, às 16h30. Dando início a folia, das 17 às 21 horas, as bandas Pimenta de Cheiro e Os Mugs sobem ao palco armado no Calçadão da Gameleira.
Segundo os organizadores a programação promete esquentar durante os cinco dias do Folia da Gameleira.