
David Mendonça
Camelô carioca revela fórmula do sucesso
Flaviano Schneider
Camelô e consultor de Marketing. É assim que costumam definir David Mendonça Pontes, o ex-motorista da Polygram que transformou 12 reais - emprestados por um amigo - em um patrimônio de mais de R$ 100 mil. “Minha história não é muito diferente das demais. De repente me vi sem emprego, sem dinheiro para pagar o aluguel, e minha mulher ainda estava grávida”, relembra David. O camelô veio a Rio Branco a convite do Sebrae-Acre, onde realizou ontem, no Teatro Plácido de Castro, a palestra Uma Lição de Vida e Marketing. Antes de lançar seu recado, David esteve reunido com funcionários do Sebrae e jornalistas, na manhã de ontem, na sede da instituição para uma rodada de entrevista.
Qual é o segredo da Banca do David?
Para me destacar dos demais tive que inventar coisas. Afinal, os produtos que vendo na minha banca são iguais aos dos meus concorrentes e creio que isso acontece também com os donos de postos Ipiranga. Eles vendem a mesma gasolina, o mesmo lubrificante e oferecem os mesmos serviços, como troca de óleo e lavagem de carro. Como a globalização deixa os produtos iguais, você é quem tem que criar os diferenciais. Então, para conquistar a clientela é preciso fugir do igual como o diabo foge da cruz.
Isto vale para qualquer tipo de negócio?
Essa regra vale para qualquer negócio: além de bom atendimento e preço justo, todo cliente adora uma promoção. Já fiz mais de 60 na minha banca e estou sempre pensando em novas campanhas. A cada promoção, as vendas aumentam cerca de 30%. Por isso, os revendedores devem ter iniciativa e promover ações que atraiam mais fregueses. A globalização deixou os produtos e você é tem que ter diferenciais.
Afinal, o que é marketing intuitivo?
Não costumam dar nome para tudo quanto é tipo de Marketing? Tem o Marketing direto, o Marketing de relacionamento, e agora o meu, o Marketing intuitivo. Tenho o primeiro grau incompleto, jamais li um manual de Marketing e faço palestras para ensinar “lições” da rua para funcionários de multinacionais. Já falei até para grandes empresários, como Antônio Ermírio de Morais; dividi o palco com o economista Maílson da Nóbrega e dei teleconferência para mais de 12 mil pessoas, na Embratel. Meu Marketing é totalmente instintivo, todas as idéias saem da minha cabeça mesmo. Sou autodidata, aprendi o que sei na prática.
Que dicas o senhor daria para os revendedores incrementarem as vendas?
O sucesso está em saber lidar com o público. O cliente é mesmo rei e não tem conversa. É preciso ser transparente, honesto.Não adianta empurrar uma mercadoria que ele não quer, porque o prejuízo será bem maior. Cliente satisfeito é mais vulnerável, deixa o bolso mais aberto. Você precisa conquistar a confiança dele, mimá-lo e surpreendê-lo a toda hora com novidades. Ele tem que ter a sensação de que você está sempre pensando nele.
Exemplifique isso, para maior clareza...
Toda semana faço o sorteio de algum brinde. Na minha home page ww.bancadodavid .com tem inclusive uma seção chamada “Promoção da Hora”, em que destaco nossas campanhas. A mais recente, “Bota fé no Brasil”, durante a Copa do Mundo, sorteou um DVD. E estamos anunciando uma nova ação: “David não é Maomé, mas leva vocês até a montanha”. Já fiz tudo quanto é tipo de promoção: com bicicleta, televisão, fim de semana em hotel-fazenda em Teresópolis, na região serrana do Rio; limpeza de dentes e até um capacete para andar nas ruas do centro do Rio sem se preocupar com o que cai dos edifícios. Ações desse tipo são boas para conquistar nova clientela e agitar a barraca.
Quais são seus planos para o futuro?
Pretendo abrir uma loja e terminar meus estudos. Não entro em roubadas. Estou me amando e nunca pensei que chegaria tão longe. Mas quero sempre trabalhar com o público.Gostaria de, no futuro, ter um programa de televisão. Descobri esse dom e se não tivesse sido mandado embora do meu emprego como motorista, nunca teria tido essa chance. Esse contato com o povo, não quero nem posso perder. Gosto de atender pessoalmente meus clientes. Faz parte do meu Marketing. E é claro, sonho em ter um programa de auditório, assim como o do Sílvio Santos, meu maior ídolo. Ele também era camelô, é sagitariano como eu e faz sucesso até hoje porque continua falando para o povão.