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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 25 de fevereiro de 2003

O substituto de José Alex

Tião Maia *

Em menos de uma semana o país soube a que papel há de se prestar na Câmara o deputado federal João Correia, do PMDB. Num de seus primeiros pronunciamentos, em aparte a um deputado federal que denunciava a elevação da taxa de juros, o deputado acreano usou a palavra para, como no samba de crioulo doido, denunciar que a “grampolândia” que envolve a Bahia também estaria atingindo o Acre.

Se alguém duvida, passo, a partir de agora, a transcrever o “discurso” do deputado com base nas notas taquigráficas da própria Câmara. Eis o que foi dito: “JOÃO CORREIA (PMDB-AC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados...O debate que se tem promovido e as notícias veiculadas pela imprensa são falhos. Homens poderosos têm mandado escutar homens poderosos. Mas está passando ao largo do debate a infâmia de termos um Estado delinqüente. No Acre, meu Estado, o dissenso tem imperado: quem se atreve a dissentir não fala ao telefone, a não ser para mandar recados ao poder. Esse câncer está presente na Paraíba, em Brasília, enfim, no País inteiro.  Não podemos conviver com um Estado delinqüente, que espiona os cidadãos, às vezes, pessoas simples, comuns e indefesas, com o fito de trucidá-las, linchá-las e desmoralizá-las...”

Pois bem. A mentira deslavada, a ignomínia da política feita com base na mentira está lá, registrada nos anais da Câmara. É mentira porque, ao que se sabe, o Acre vive momento de absoluta paz, em que até mesmo a oposição, a oposição responsável e conseqüente, tem sentado com os setores do governo para discutir projetos e planos de interesse da sociedade.

A delinqüência e o dissenso ficam por conta de quem faz política de forma criminosa, como é o caso de João Correia, que jogou na lata do lixo todo o seu passado de democrata para se aliar ao que de pior há na história política deste Estado. O que se sabe – e as pessoas de bem estão aí a confirmar – é que quem é useiro e vezeiro do grampo e da gravação clandestina é exatamente o deputado Narciso Mendes, aliado in pectori de João Correia num desastre político e eleitoral que atendeu pelo nome de MDA (Movimento Democrático do Acre.

Foi Narciso Mendes quem gravou Ronivon Santiago, João Maia, Orleir Cameli e outras pessoas muitas próximas a João Correia. Aliás, gravações fajutas chegaram a ser utilizadas por eles durante a campanha eleitoral do ano passado.

Portanto, o que se espera é que, esclarecido quem é quem no jogo sujo da “grampolândia”, o deputado não volte a cometer o acinte de mentir para o Brasil. Quem recorre a esse expediente criminoso é o pessoal ligado ao deputado – o mesmo pessoal que agiu em relação ao secretário Dudé Lima, quando tentaram envolvê-lo no chamado escândalo da gasolina.

Mesmo de posse de gravações, não puderam provar nada e depois, esclarecida a verdade, não tiveram a dignidade de vir a público pedir desculpas ao rapaz e à sua família. Isso, sim, é que é uma ignomínia da qual João Correia devia se envergonhar.

Mas, por outro lado, é bom que ele assuma essas posições. Pelo menos o Brasil ficará sabendo que o ex-deputado José Alex tem um substituto à altura.

* Jornalista

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