© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003

Sheik árabe

Francisco Dandão

Como é que é? Um milhão e meio de dólares por três meses de trabalho? Tudo bem que o artista se chama Romário. Mas é demais, né não? Esses caras donos dos poços de petróleo do mundo ou são completamente pirados ou então, olhando-se de um outro ângulo, são completamente pirados.

É isso mesmo, o velhinho não errou ao repetir a alternativa. Os donos do petróleo ou são pirados ou são pirados. Sabem vocês aí na frente do papel quanto é dá por dia, por hora, por segundo? Não? Eu também não sei. Mas sei que é uma nota preta. Mais do que qualquer um pode gastar num tempo igual.

Agora, o que mais chama a atenção deste que vos escreve é o ponto até onde um homem pode chegar para encher as calças de dinheiro. Vejam só que o Romário até abdicou do direito de brincar o carnaval no Rio de Janeiro. Por um punhado de dólares, um drible no samba e um chute na alegria.

Comentando sobre o sacrifício do baixinho com a turma da redação aqui do Página 20, um dos diagramadores, o Ronaldo, saiu-se com a seguinte conjetura: “Que sacrifício que nada, o Romário vai chegar lá, fingir uma contusão e se mandar para dar os seus pulos na Marquês de Sapucaí”.

Não deixa de ser uma grande tese. Contusões não são novidades na vida do Romário. O homem joga pra caramba, marca gols como poucos, mas, em compensação, todo mundo sabe muito bem, aquela panturrilha “bichada” vive fazendo dele um grande cliente dos departamentos médicos.

Quer dizer, seria uma grande tese a do Ronaldo se o Rodrigo, o outro diagramador, não se saísse com a seguinte antítese: “Se fosse em outro lugar, até acredito que o Romário poderia aprontar algumas. Lá no Catar, é difícil. Tudo preto no branco. Escreveu não leu, o pescoço rolou”.

“O pescoço rolou” na expressão do Rodrigo, imagino que dá para perceber, mas explico mesmo assim, substitui “o pau comeu” no provérbio popular. O que faz o maior sentido. Esbórnia carnavalesca lá por aquelas bandas, só se for abraçado com alguma camela vestida de odalisca.

É isso. O Romário foi buscar o dinheiro da aposentadoria. Depois, ele sabe muito bem, ainda virão muitos carnavais pela frente. Eu acho que ele, de fato, não desfila este ano no sambódromo carioca. De qualquer forma, não custa nada prestar atenção se aparecer algum cara na área fantasiado de sheik árabe.

fdandao@zipmail.com.br
Amazônia
Colunas
Cotidiano
Expediente
Entrevista
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal