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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003
Barato só nas canoas

Os repórteres do Pagina 20, Josafá Batista e Marcos Vicentti, desceram ontem o barranco do rio Acre e comprovaram uma grave intermediação na venda de produtos hortifrutigranjeiros trazidos pelos ribeirinhos para as feiras e mercados da capital.

A intermediação faz com que os produtos tenham aumento de 500%, desde o preço do produtor até a mesa do consumidor.

Cupuaçu, banana, mamão, castanha, melancia e outros produtos chegam a Rio Branco em canoas custando preços bastante razoáveis, porque é grande a produção para um mercado pequeno e desorganizado.

Mas quando sobem o barranco de apenas 300 metros adquirem preços proibitivos. O cupuaçu, por exemplo, que o ribeirinho vende a 20 centavos a unidade, na canoa, é vendido a R$ 1,00 após passar pela rede de atravessadores.

O prejuízo é grande para o produtor e maior ainda para o consumidor. Este porque paga caro para se alimentar bem, ou porque abre mão dos frutos; aquele porque poderia ganhar um pouco se pudesse ficar com uma parte do lucro dos atravessadores.

Este parece ser um caso em que o Governo do Estado terá que intervir para melhorar a economia local. Certamente, uma solução definitiva seria a criação de uma central de abastecimento que absorvesse toda a produção ribeirinha regulando o preço dos produtos.

Mas algo de imediato e simples também poderia ser feito, como a criação de uma feira livre itinerante junto às canoas. Aí, o próprio consumidor desceria o barranco e negociaria com o produtor um preço justo para ambos.

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