
José Alvanir
“A maior dificuldade dos prefeitos acreanos é na elaboração de projetos”
Leonildo Rosas
Aos 43 anos, o prefeito de Brasiléia, José Alvanir (PT), assumiu ontem a presidência da Frente Democrática dos Prefeitos do Acre. A entidade congrega prefeitos eleitos em 2000 por partidos da Frente Popular.
Durante a posse, o novo presidente afirmou que o grande desafio do seu mandato será trabalhar de forma articulada para garantir a elaboração e o acompanhamento do projetos dos municípios nos ministérios, em Brasília.
Para falar sobre as dificuldades dos prefeitos e o que pretende executar nos próximos dois anos à frente da entidade e em Brasiléia, ele falou com exclusividade ao Página 20.
O senhor assumiu ontem a presidência da Frente Democrática de Prefeitos do Acre. Quais são suas expectativas?
Queremos estreitar o relacionamento entre as nossas prefeituras e as esferas dos governos federal e estadual. Os nossos companheiros prefeitos, principalmente os da cidade mais longe da capital, têm dificuldades dialogar com os secretários de Estado e de obter informações nos ministérios. Queremos também uma articulação com a bancada federal para conseguirmos liberar os recursos dos projetos apresentados.
Mas atualmente o PT e a Frente Popular formam a maioria da bancada?
Sim. Agora esperamos que a bancada ajude a facilitar a liberação de recursos em Brasília.
Quais são os maiores problemas enfrentados pelos prefeitos?
Temos um problema crucial comum a todos, que é a deficiência na elaboração de projetos. Não temos condições financeiras para pagar uma empresa especializada para esse fim. Felizmente, temos recebido o apoio do governo do Estado, que coloca uma equipe de técnicos, por meio da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico-Sustentável.
E como fica o acompanhamento dos projetos em Brasília?
Esse é outro problema. A gente protocola os projetos nos ministérios, mas tem que ter alguém acompanhado a tramitação, se não eles começam a ser engavetados por pequenas pendências nas análises técnicas. Então, pretendemos manter uma assessoria em Brasília para isso.
A entidade que o senhor preside não concorre com a Associação dos Prefeitos do Acre (APA)?
Não. Em outros estados, tipo Minas Gerais e São Paulo, existem várias entidades criadas pelos prefeitos. As organizações vão surgindo de acordo com a aproximação ideológica de cada prefeito.
Quais são as expectativas de vocês diante do novo ordenamento político nacional e estadual?
Somos dez prefeitos. Há cerca de 15 dias, eu e mais seis estivemos em Brasília participando de um encontro promovido pelo diretório nacional do PT. Na ocasião, visitamos vários ministérios e sentimos da parte dos ministros a vontade de trabalhar de uma forma articulada com as prefeituras.
Por que o senhor sentiu toda essa boa vontade?
Porque são nas cidades que as pessoas moram. São nas cidades que existem os problemas. Então, é necessário que os prefeitos, por não poderem resolver os problemas sozinhos, tenham o apoio dos governos dos Estados e do federal.
Recentemente, o governador Jorge Viana criou a Secretaria Extraordinária das Cidades e Habitação. O senhor não teme que haja uma intervenção do Estado nas suas atividades?
De forma alguma. Já conversei com o secretário Raimundo Angelim e ele me garantiu que a intenção do governo é trabalhar em plena sintonia com os prefeitos. O Estado deverá apoiar as prefeituras nas obras consideradas estruturais e que muitas vezes os municípios não têm recursos para executá-las.
O que a população de Brasiléia pode esperar nesses dois anos que ainda faltam do seu mandato?
Nos dois primeiros anos avançamos muitos em duas áreas: saúde e educação. Temos cinco unidades de saúde da família na zona urbana, cada uma composta por um médico, um dentista, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e cinco agentes de saúde. Isso significa que 100% dos moradores da cidades estão sendo atendidos. Além disso, implantamos duas unidades na zona rural e agora estamos implantando uma terceira unidade próximo de Assis Brasil. Essa política nos deu um resultado positivo de redução de 40% nas internações hospitalares.
E quais são os avanços na educação?
São muitos. Mas posso citar como exemplo a implantação do ensino de 5ª a 8ª série na zona rural. Isso era uma aspiração dos moradores porque os alunos terminavam a 4ª série e muitas vezes ficavam repetindo-a até quatro vezes porque não tinham perspectiva de avanço. Nessa escola, estamos atendendo mais de 300 alunos com transporte escolar, uniforme, merenda regionalizada e assistência médica. Construímos também doze novas escolas na zona rural e reformamos no fim do ano passado mais 17 escolas.
Além da saúde e da educação, o que mais o senhor pretende fazer?
Nos próximos dois anos vou investir em infra-estrutura urbana e rural. Vou priorizar a pavimentação de ruas, já que temos em Brasiléia cerca de 90% da população recebendo água tratada e estamos iniciando a implantação do esgoto sanitário na cidade. Ao cuidar da cidade, não podemos esquecer os ramais. Cerca de 50% da nossa população mora na zona rural.
Nos dois primeiros anos, o senhor manteve um bom relacionamento com sua vice, Leila Galvão. Ocorre que ela é do PSDB, partido que saiu da Frente Popular. Como vai ficar o relacionamento entre vocês dois, principalmente se o senhor for candidato à reeleição?
Nutro pela companheira Leila Galvão um respeito muito grande. Após o problema que houve com o PSDB nas eleições do ano passado, a Leila se afastou do partido por ser contra o rompimento com a Frente Popular. Passada a eleição, não voltamos a conversar sobre a questão partidária. Mas, isso está na minha agenda e pretendo tratar o assunto em breve. Como até dezembro os partidos terão que começar a definição com vistas as eleições de 2004, irei saber dela qual a sua posição.
O senhor pensa em concorrer à reeleição?
Sempre digo que a questão da reeleição é um processo automático para qualquer administrador. Tendo dito, também, que isso passará por toda uma avaliação das forças que me apoiam. Não basta minha vontade de ser candidato à reeleição. Meu desempenho precisa ser avaliado pelos partidos da Frente Popular.
Como Brasiléia está se preparando para o Carnaval?
Estamos bastante animados. Cinco blocos desfilarão no domingo e na terça-feira. Cada bloco deverá ter em média 300 componentes, que é muita coisa para uma cidade do porte de Brasiléia. Construímos uma arquibancada para as pessoas ficarem melhor acomodadas e hoje iniciaremos os asfaltamento de parte da rua Geny Assis exclusivamente para os foliões.