
Força-tarefa no Rio
Desde a segunda-feira sem lei desta semana o governo federal estuda medidas de socorro para o Rio e ontem a opção era a criação de uma força-tarefa nos moldes da que está operando no Espírito Santo. Lá, os resultados melhoraram depois da posse de um governador que somou forças contra o crime organizado, o que recomendou a busca de total sintonia com a governadora do Rio.
Disso trataram o ministro da Justiça e o chefe da Casa Civil com a governadora ontem à noite. A força-tarefa, se criada, será uma ação de longo prazo, para além de medidas de emergência para o carnaval, reforçando a operação Rio Seguro, iniciativa da governadora.
Segundo fontes palacianas, apesar das cobranças vindas de todos os lados — inclusive de 22 discursos pronunciados na Câmara, resumidos ao presidente pelo líder Aldo Rebelo — desde segunda-feira Lula discutia com auxiliares a melhor forma de colaboração federal diante da última afronta do narcotráfico. Tratou do assunto com os ministros da Defesa e da Justiça e com os chefes da Casa Civil e do Gabinete de Segurança Institucional, entre outros. O uso das Forças Armadas e a intervenção federal foram descartados desde o início, fortalecendo a idéia da força-tarefa, como ouviram do próprio presidente dois políticos que ontem falaram com ele.
A força-tarefa do Espírito Santo, criada pelo presidente Fernando Henrique quando se recusou a fazer a intervenção no estado, é chefiada pelo subprocurador geral da República José Roberto Santo (que ajudou a desbaratar o esquema do Acre) e integrada por mais quatro procuradores, um delegado federal e cinco agentes federais. Depois da posse do governador Paulo Hartung, a Secretaria de Segurança, chefiada pelo delegado federal Rodney Rocha Miranda, somou forças com a equipe federal e apertou o cerco ao crime organizado. O resultado mais espetacular foi a desmoralização do ousado esquema montado para garantir ao grupo do ex-deputado Gratz o controle da Assembléia Legislativa, braço institucional de uma organização criminosa que perpassava o próprio aparelho de Estado. Do Rio, José Dirceu segue hoje para Vitória, onde oferecerá a Hartung o apoio complementar que ainda for necessário.
Pode dar certo? Pode dar bons resultados, desde que o governo estadual colabore e que haja disposição também para enfrentar a corrupção, sem a qual o narcotráfico não teria as facilidades que tem, diz a deputada e ex-juíza Denise Frossard (PSDB-RJ). Retirar Fernandinho Beira-Mar do Rio ajuda, mas ficar nisso será um auto-engano coletivo, diz ela. A corrupção tanto é mãe dos fiscais que extorquiram dinheiro de empresas como das autoridades que permitem o uso dos presídios como centrais de operação do narcotráfico.
Destaque-se, por sinal, nesse episódio, o papel da bancada do Rio, que tendo se reunido com a governadora Rosinha e feito muito barulho no Congresso. Hoje ela se encontra com o presidente. Valeu o grito, dizia Laura Carneiro. Errou o PT, que faltou à reunião com a governadora por conta das desavenças políticas locais. E pela primeira vez a governadora nem teria dado estocadas na antecessora Benedita da Silva, agora que está provando do mesmo prato.
Pista de decolagem
O presidente da Câmara, João Paulo, instalou ontem pessoalmente as quatro comissões especiais que criou para dar início ao debate das reformas da Previdência, tributária, política e trabalhista. Em relação às duas primeiras, que estão na agenda imediata, o PFL desistiu de pleitear relatorias e entregou a tarefa ao PT, que indicou Virgílio Guimarães (MG) para a tributária e José Pimentel (CE) para a da Previdência. Para as presidências, o PFL indicou Mussa Demes (PI) e Roberto Brant (MG). O partido indicou Ronaldo Caiado (GO) para a relatoria da reforma política, mas essa fica para depois. Bons os nomes, boa a composição das comissões. Se o governo não perder o passo, tem tudo para pôr esse bloco na rua.
Esse lixo novamente
Há dois anos, um poderoso lobby tentou legalizar a importação de pneus usados e foi barrado pela consciência ecológica do Congresso. A Europa buscava um depósito para esse lixo. Eis que agora o governo Lula baixa um decreto permitindo a importação desse material do Uruguai e do Paraguai. Por iniciativa de Fernando Gabeira, as comissões de Relações Exteriores e de Meio Ambiente da Câmara estão convidando os ministros Celso Amorim e Marina Silva a explicarem a medida.
A PORTA da renúncia será fechada para deputados processados, prometeu ontem o presidente da Câmara, João Paulo. Além do projeto Orlando Desconsi, tramita outra emenda eficiente, do deputado Neucimar Fraga (PL-ES), que suspende os efeitos da renúncia até a conclusão do processo. Mas ficará valendo, caso o julgamento final não seja pela cassação. Impede também que deputado já reeleito para outro mandato renuncie ao anterior, como fez Pinheiro Landim.
O MINISTRO Olívio Dutra (Cidades) e o presidente da CEF, Jorge Matoso, almoçam juntos hoje, com as respectivas equipes. Acertam o lançamento de projetos de habitação, saneamento e outros problemas que afetam as cidades. Duas equipes estudam as medidas desde o início do governo.
Tereza Cruvinel