
“O Terceiro Setor é uma forte
ferramenta
para o desenvolvimento social do Estado”
Rose Farias
Um
dos maiores especialistas em montagem de instituições para o
Terceiro Setor no país, Takasshi Yamauchi esteve em Rio Branco a convite
da Agência de desenvolvimento Econômico e Social da Amazônia
Ocidental (Adamo), onde proferiu nos últimos dias 26 e 27, na Casa
da Indústria, a palestra Terceiro Setor, uma Opção
de Trabalho.
O público presente era composto por empresários, profissionais liberais, professores, universitários e outros.
Yamauchi é dono de um currículo que envolve sua participação como gestor do Banco Interamericano de Desenvolvimento para o Sul do Estado de Minas e a criação de 1.500 instituições em vários Estados do Brasil, no desenvolvimento de projetos especiais em diversas áreas da educação, cultura, meio ambiente e administração.
Em entrevista ao Página 20, Takashi Yamauchi discorreu sobre a influência do Terceiro Setor na economia local, modelos de aplicabilidade, as ferramentas que podem ser aplicadas para a geração de emprego e renda, o binômio meio ambiente e Terceiro Setor, entre outras temáticas.
Como o senhor define o Terceiro Setor?
O Terceiro Setor agrega organizações, que com seus objetivos voltados ao interesse público e sua capacidade de mobilização de recursos humanos e materiais são agentes transformadores da sociedade e constróem uma nova consciência de cidadania voltada ao atendimento de importantes demandas sociais que o Estado não tem condições de atender.
O senhor poderia detalhar que tipos de atividades
podem ser desenvolvidas pelo Terceiro Setor?
Uma série de atividades pode ser desenvolvida tanto na área educacional, saúde e assistência social. Mas o setor também pode atuar numa outra linha de ação que é promover o desenvolvimento econômico e social de uma região ou Estado. É um instrumento extremamente poderoso nesse processo e é pouco utilizado no Brasil.
Dentro da realidade do Acre, que influência
o
Terceiro Setor teria na economia local?
Em primeiro lugar, ele pode ser uma ferramenta muito importante tanto para o governo estadual como municipal no tocante à captação de recursos de fora para a região, assim como na promoção da imagem do Estado lá fora, de tal maneira que traga para cá investidores.
Quantos aos modelos relacionados a sua
aplicabilidade, o que senhor teria a dizer?
Vamos supor na área de turismo, por exemplo, estão montando hoje as Agências de Desenvolvimento de Turismo, que são Ongs que trabalham com o desenvolvimento da área. Elas existem na área direcionada ao desenvolvimento econômico e social de uma cidade, onde você monta uma agência para trabalhar o desenvolvimento local. Isso está politizando o Brasil inteiro, onde o poder público está começando a tomar conhecimento desta forte ferramenta.
O senhor situa o Terceiro Setor como uma
forte ferramenta na geração de emprego e renda?
Esse é um outro fator muito importante onde a instituição dessa forma vai promover a montagem de empresas comunitárias, vai poder criar linhas especiais de crédito que o governo está disponibilizando e pouca gente conhece, com o objetivo de financiar pessoas que não tem condições de ter conta em banco ou que estão com problema no SPC, Serasa. Então, existe um leque de oportunidades para poder utilizar e gerar esses empregos.
E quanto ao binômio Meio Ambiente e Terceiro Setor?
Na área ambiental, existe o que chamamos de instituições ambientalistas, mas existe um outro modelo que cria mecanismos de sustentabilidade do processo para viabilizar economicamente a comunidade em defesa da questão ambiental. Esse é um ponto muito importante, porque muitas vezes uma entidade ambientalista tem esse sonho mais não sabe como realizar. E ela nasce do aspecto legal da entidade, da sua conceituação para saber o que está realizando e existe recurso para isso.
O senhor poderia traçar algumas diretrizes
referentes
ao marketing social dentro do Terceiro Setor?
Existe uma confusão muito grande em relação a marketing social e ao que chamamos de responsabilidade social. Marketing social, ou marketing simplesmente para a empresa se promover com algum trabalho de donativo ou coisa parecid,a não é uma forma correta. Então, o que se emprega hoje é o que chamamos de empresa com responsabilidade social, isto é, o empresário tem uma consciência da sua atividade em relação ao seu papel na sociedade local não somente na área econômica mas também na social. E essa forma permite com que a empresa se aproxime mais do seu cliente, crie uma linha de trabalho diferenciado que vai acarretar ganhos para a empresa. Isso é o que chamamos de responsabilidade social.