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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
Takashi Yamauchi

“O Terceiro Setor é uma forte ferramenta
para o desenvolvimento social do Estado”

Rose Farias

Marcos VicenttiUm dos maiores especialistas em montagem de instituições para o Terceiro Setor no país, Takasshi Yamauchi esteve em Rio Branco a convite da Agência de desenvolvimento Econômico e Social da Amazônia Ocidental (Adamo), onde proferiu nos últimos dias 26 e 27, na Casa da Indústria, a palestra Terceiro Setor, uma Opção de Trabalho.

O público presente era composto por empresários, profissionais liberais, professores, universitários e outros.

Yamauchi é dono de um currículo que envolve sua participação como gestor do Banco Interamericano de Desenvolvimento para o Sul do Estado de Minas e a criação de 1.500 instituições em vários Estados do Brasil, no desenvolvimento de projetos especiais em diversas áreas da educação, cultura, meio ambiente e administração.

Em entrevista ao Página 20, Takashi Yamauchi discorreu sobre a influência do Terceiro Setor na economia local, modelos de aplicabilidade, as ferramentas que podem ser aplicadas para a geração de emprego e renda, o binômio meio ambiente e Terceiro Setor, entre outras temáticas.

Como o senhor define o Terceiro Setor?

O Terceiro Setor agrega organizações, que com seus objetivos voltados ao interesse público e sua capacidade de mobilização de recursos humanos e materiais são agentes transformadores da sociedade e constróem uma nova consciência de cidadania voltada ao atendimento de importantes demandas sociais que o Estado não tem condições de atender.

O senhor poderia detalhar que tipos de atividades
podem ser desenvolvidas pelo Terceiro Setor?

Uma série de atividades pode ser desenvolvida tanto na área educacional, saúde e assistência social. Mas o setor também pode atuar numa outra linha de ação que é promover o desenvolvimento econômico e social de uma região ou Estado. É um instrumento extremamente poderoso nesse processo e é pouco utilizado no Brasil.

Dentro da realidade do Acre, que influência o
Terceiro Setor teria na economia local?

Em primeiro lugar, ele pode ser uma ferramenta muito importante tanto para o governo estadual como municipal no tocante à captação de recursos de fora para a região, assim como na promoção da imagem do Estado lá fora, de tal maneira que traga para cá investidores.

Quantos aos modelos relacionados a sua
aplicabilidade, o que senhor teria a dizer?

Vamos supor na área de turismo, por exemplo, estão montando hoje as Agências de Desenvolvimento de Turismo, que são Ongs que trabalham com o desenvolvimento da área. Elas existem na área direcionada ao desenvolvimento econômico e social de uma cidade, onde você monta uma agência para trabalhar o desenvolvimento local. Isso está politizando o Brasil inteiro, onde o poder público está começando a tomar conhecimento desta forte ferramenta.

O senhor situa o Terceiro Setor como uma
forte ferramenta na geração de emprego e renda?

Esse é um outro fator muito importante onde a instituição dessa forma vai promover a montagem de empresas comunitárias, vai poder criar linhas especiais de crédito que o governo está disponibilizando e pouca gente conhece, com o objetivo de financiar pessoas que não tem condições de ter conta em banco ou que estão com problema no SPC, Serasa. Então, existe um leque de oportunidades para poder utilizar e gerar esses empregos.

E quanto ao binômio Meio Ambiente e Terceiro Setor?

Na área ambiental, existe o que chamamos de instituições ambientalistas, mas existe um outro modelo que cria mecanismos de sustentabilidade do processo para viabilizar economicamente a comunidade em defesa da questão ambiental. Esse é um ponto muito importante, porque muitas vezes uma entidade ambientalista tem esse sonho mais não sabe como realizar. E ela nasce do aspecto legal da entidade, da sua conceituação para saber o que está realizando e existe recurso para isso.

O senhor poderia traçar algumas diretrizes referentes
ao marketing social dentro do Terceiro Setor?

Existe uma confusão muito grande em relação a marketing social e ao que chamamos de responsabilidade social. Marketing social, ou marketing simplesmente para a empresa se promover com algum trabalho de donativo ou coisa parecid,a não é uma forma correta. Então, o que se emprega hoje é o que chamamos de empresa com responsabilidade social, isto é, o empresário tem uma consciência da sua atividade em relação ao seu papel na sociedade local não somente na área econômica mas também na social. E essa forma permite com que a empresa se aproxime mais do seu cliente, crie uma linha de trabalho diferenciado que vai acarretar ganhos para a empresa. Isso é o que chamamos de responsabilidade social.

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