| OPINIÃO | ||
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Maria Regina Canhos Vicentin * |
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Qual é a cor do diabo? É provável que viver não seja fácil para todos. Nem materialmente, coisa que facilmente vemos. Nem espiritualmente, coisa que quase nunca vemos. Nós estamos inseridos num contexto complexo demais. Tentar compreender o ser humano é um dos maiores desafios do próprio homem. A gente bem que tenta, mas inúmeras vezes se frustra, pois parece haver tantos modos de encarar a vida quanto pessoas que nela vivem. Essa história de termos cada qual uma digital é mesmo fora de série, talvez o aspecto cômico do Criador tentando aguçar a nossa curiosidade ou planejando nos deixar loucos. Brincadeira à parte, a singularidade do ser humano é extremamente interessante, embora de uns tempos para cá as tentativas de nos fazer todos iguais tenham sido avassaladoras. Ser igual é bom para facilitar manipulações e, às vezes, confortar a consciência. Todo mundo usa calça jeans e camiseta, e está na moda. Todo mundo faz caminhada e tem a sensação de dever cumprido. Todo mundo casa e depois de alguns anos separa, e fica tudo bem porque a maioria é assim mesmo. Todo mundo luta para conseguir coisas e, quando as consegue luta para conseguir mais coisas, pois aquelas já não lhe bastam. Isso parece ser legal porque nos mantém interessados em algo o tempo todo e, por incrível que pareça, todo mundo entende porque busca quase sempre as mesmas coisas. E nós ficamos felizes por nos considerarmos iguais a todo mundo e, por sorte ou armadilha do destino, ninguém ter percebido as nossas singularidades. Aquelas que nos fazem chorar quando estamos a sós, em nosso recolhimento. É impressionante o número de pessoas que convivem com angústias secretas, sufocadas na calada da noite com o uso maciço de tranqüilizantes e soníferos. No fundo, talvez não sejam tão parecidas com a maioria. Ou será que a maioria brinca de esconder suas ansiedades? Sabe aqueles presságios, medos, fobias, vícios, esquisitices, pensamentos obsessivos, calafrios, e dores em todos os lugares do corpo? Tudo aquilo que sua vizinha tem, mas você não. Será que você é tão diferente dela? Ou, por outro lado, será que é tão igual que sente da mesma forma? É; o ser humano é uma caixinha de surpresas mágica, paradoxal, mística. Por vezes nos mostra o seu lado terno, outras o lado aterrador. Parece que não temos escolha senão conviver com os dois, lado a lado: terno e aterrador, meigo e grosseiro, realista e sonhador, puro e pecaminoso, lúcido e completamente insano. Os opostos parecem mesmo se atrair, e chego a acreditar que quanto mais corremos do “bicho”, mais ele se achega a nós. Talvez, a alternativa seja fazer as pazes com ele e convidá-lo para um café pessoal, somente você e ele. Ele quem? O “bicho”, oras. Esse mal estar que insiste em lhe perseguir diariamente, mesmo quando você gostaria de se livrar dele para sempre. Desde pequena ouço dizer que “o demônio não é tão feio quanto o pintam”, e mais, que “o mundo tem a cor que a gente pinta”. Será que não estamos pintando o mundo e o diabo da mesma cor? Ou será que estamos pintando o diabo com a cor que deveríamos ter pintado o mundo, e o mundo com a cor que deveríamos ter pintado o diabo? Sei lá... Acho que já estou ficando confusa! * Psicóloga e autora dos livros “Buscando a Felicidade” (Editora Celebris), “Sementes de Esperança” e do lançamento “Temas do Cotidiano”, ambos da Editora Santuário. Nas melhores livrarias do país ou ligue grátis: 0800-160004. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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