ESPECIAL
   ALMANACRE
Elson Martins


Estandes como este, coloridos e originais, ocuparam
toda a feira e foram visitados por mais de 50 mil pessoas

Uma feira amazônica, com certeza

A feira Panamônia iniciada quarta-feira (26) no Horto Florestal em Rio Branco termina hoje, com cara de dever cumprido. De fato, o evento deu uma bela lição de economia solidária e cultura amazônica. Quem não for até lá conferir isso vai perder algo de bom.

O evento contou com representantes (artesãos e artesãs, pequenos produtores rurais, pessoas envolvidas em projetos de economia solidária etc) de nove Estados amazônicos e mais sete paises latino-americanos, cada um se esforçando para fazer mais bonito. A Amazônia brasileira foi representada pelo Acre, Rondônia, Roraima, Amazonas, Pará, Tocantins, Amapá, Pará e Maranhão. Os países, pela Bolívia, Peru, Venezuela, Colômbia, Equador, Chile e Uruguai.

O Horto Florestal, um belo pedaço da floresta preservado no centro da cidade, recebeu decoração e organização adequadas, sem agressão ou exageros. Nem de longe parece com o Parque de Exposições, onde há alguns meses foi promovida outra festa: barulhenta, perdulária e exógena. O que teve de bom naquela (o artesanato, por exemplo) domina o espaço da Panamazônia. E o único barulho estranho que ouvi dessa vez aconteceu no momento em que o prefeito Raimundo Angelim falava na abertura da feira. Mas ele mesmo acalmou os presentes: foi o estouro de uma panela de pressão.

A participação indígena, tanto do Acre quanto de outros Estados e países, é forte e atraente. Somando tudo, temos cores, traços, cheiros e sabores em variadas formas, unindo sotaques diferentes que deixa algo animador no ar.

Confesso que não vi tudo, mas o que vi me agradou: a barraca dos índios, a praça de alimentação, os estandes dos hermanos latino-americanos, a amostragem qualificada dos acreanos da floresta, os pequenos shows do pessoal do teatro... Senti falta de um estande com livros regionais! Por que não pensaram nisso?

Não importa. A I Feira Panamazônia já entrou para o calendário internacional de eventos sobre economia solidária na Amazônia porque foi bem sucedida. Até o momento em que eu escrevia este texto, a coordenação ainda não tinha números das rodadas de negócios que começaram na sexta-feira pela manhã. Mas, certamente, o resultado não decepcionou.

Alias, a representante do Uruguai, Rosa Casamayor, disse uma coisa tranqüilizadora sobre o resultado financeiro: a boa acolhida e a alegria dos acreanos significam algo maior para o futuro do continente.

Faço questão de destacar o clima geral da feira. Além da harmonia entre a estrutura montada para receber 300 expositores e o espaço ecológico do Horto, prevalece um barulhinho gostoso de conversas entre pessoas que se entendem em português, espanhol ou em diversas línguas indígenas. Percebi sorrisos, apertos de mão, curiosidade diante de objetos lindos expostos, agradecimento de quem chega e é bem recebido.

Logo à entrada do Horto, aliás, os visitantes se deparam com versões do “caboclinho” e da “mãe-da-mata”, do “mapinguary” e do “boto” - este, curiosamente, com um chapéu vermelho na cabeça.

Plantados junto a troncos de velhos buritizeiros, com luz néon de cor verde acentuando as máscaras, os bonecos dão um adequado tom de magia ao ambiente.


Grupos teatrais divertiram a garotada com contação de histórias


CORREIO

Patrimônio desfeito

Recebi do amigo Chico Fontenele, filho do ex-governador e ex-comandante da Guarda Territorial do Acre (tempo do Território), coronel Fontenele, a foto abaixo do grupo escolar Presidente Dutra, demolido no governo Geraldo Mesquita (1975/1979) para construção da Biblioteca Pública em frente à Praça da Revolução.

Mesquita se deixou levar pelos argumentos de sua equipe de Obras e cometeu um desatino. A Biblioteca Pública que substituiu o tradicional grupo virou um monstrengo que hoje passa por reformas para se obter melhor aproveitamento e menos feiúra no centro da cidade. Eu sou testemunha do “carão” que Mesquita deu no seu secretário de Obras Clécio, à época.

Mas voltando ao Chico Fontenele: ele tem muitas fotos antigas de Rio Branco e pretende organizar um álbum com minha ajuda.


Coleções

Prezado Elson,

Escrevo-lhe tão somente para colocá-lo a par das conversas com a Sra. Lúcia Helena, sobrinha neta do Juvenal Antunes. Temos mantido contato, através da Carolina, a respeito do envolvimento da Fundação no processo de edição e lançamento do livro. Em verdade, Lúcia possui somente os conteúdos, não há nada pré-editado ou algo nesse sentido. Mas é de nosso extremo interesse, como já havia lhe colocado antes, editar e lançar tal obra.

Na esteira desse raciocínio e para a consecução deste objetivo, estamos preparando um edital específico para edição e aquisição de livros de ou sobre escritores locais. Esse será um edital temático, não se confundindo com o edital da lei estadual de incentivo à cultura. O montante a contemplar projetos apresentados nesse edital certamente será menor, mas já faz parte de uma política mais consistente de democratização do acesso aos bens culturais e descentralização da decisão administrativa no que tange a quem faz jus aos apoios institucionais. Trocando em miúdos: estamos trabalhando no sentido de reduzir cada vez mais os chamados “apoios de balcão”, regulamentando o acesso à recursos públicos destinados ao fomento à cultura.

Tem uma outra idéia que gostaria de compartilhar contigo: estamos trabalhando no sentido de possibilitar a reedição de obras de referência da literatura acreana, tal qual feito recentemente pelo Gabinete do Senador Tião Viana e também pelo Desembargador Arquilau, em suas brilhantes iniciativas em publicar títulos diversos de nossa literatura. Para isso gostaria de contar com a tua ajuda, para que pudéssemos proceder com um breve inventário de publicações, edições antigas e esgotadas ou mesmo obras que não chegaram a ser publicadas, (como algumas do Hélio Melo) e que poderiam constituir uma coleção.

Daniel Sant’Ana, presidente da Fundação Cultural Elias Mansour

 
 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
Rio Branco-AC, 30 de setembro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
P E S Q U I S A