
Rio Acre perto da cota de alerta
Rio Acre chega a 13,28m e deixa
moradores de
bairros mais baixos com medo de nova alagação
O nível das águas do rio Acre continua subindo e já começa a preocupar moradores e autoridades municipais. Na régua cravada pelo Corpo de Bombeiros, imediações do Calçadão da Gameleira, a leve espuma encobre a marca de 13,22m. A população que mora em áreas alagadiças está em alerta e alguns já foram desabrigados pela enchente.
A mesma marca foi alcançada pelo rio na segunda-feira. Na terça ele chegou a 13,36m. Ontem, segundo os dados oficiais, voltou a vazar, mas mesmo assim está a oito centímetros da cota de alerta, que é 13,50m.
O aposentado Manoel Souza teve sua casa atingida pelas águas do rio Acre. “Eu não sei o que vou fazer agora, acho que vou arrumar um lugar pra ir enquanto não baixa, na casa de algum parente. Eu sabia que ia acontecer, já estava esperando por isso”, disse.
Segundo o coronel Farnei Correia Lima, o município tem transporte e equipes de apoio para assistir às famílias que quiserem ser transportadas para casa de parentes ou para os alojamentos disponibilizados para os desabrigados.
“Estamos visitando os bairros e mantendo contato com os presidentes das associações de bairros para saber se alguma família precisa de transporte e ajuda. Não vamos obrigar ninguém a sair de suas casas. Quem constrói às margens dos igarapés e do rio sabe os riscos que correm e as situações enfrentadas no inverno, mas cada um também conhece a hora certa de deixar suas casas, se o nível da água subir mais e invadir os assoalhos não vai ter condições de permanecer no local”, disse o coronel.
Estado de calamidade em Tarauacá
Com 150 famílias desabrigadas pelo rio Juruá, a prefeitura de Tarauacá (400 quilômetros de Rio Branco) decretou ontem estado de calamidade pública e pretende pedir apoio ao governo do Estado.
De acordo com informações da TV Tarauacá, a quantidade de vítimas da enchente tende a aumentar, já que as chuvas continuam subindo e há previsão de mais para as próximas 48 horas.
Por enquanto, todas as vítimas estão sendo levadas às escolas da rede pública. A cidade inteira está mobilizada no trabalho de abrigar as vítimas.
Já na região entre Assis Brasil e Brasiléia as chuvas deram uma trégua. Sinal de vazante, lenta.
Rio Purus também está vazando
O rio Purus, que costuma provocar enchentes bem antes do Acre, apresenta uma vazante inusitada para esse período do ano. Em Sena Madureira, o rio Iaco também apresenta uma ligeira vazante, para alívio das centenas de famílias que moram na região do Segundo Distrito, bem mais baixo que a parte central da cidade.
O Corpo de Bombeiros alerta também para os perigos da vazante. Casos de leptospirose, hepatite, malária, dengue e outras doenças infecto-contagiosas são comuns durante a descida das águas. Para evitar endemias nas regiões mais afetadas, equipes da Vigilância Sanitária estão sendo orientadas para distribuir hipoclorito de sódio e cartilhas explicativas.
A idéia é disseminar hábitos saudáveis de higiene - a única vacina eficiente contra determinadas doenças, cuja propagação depende, quase que totalmente, da prevenção.
Desmoronamento na Invasão da Embratel
Os moradores da invasão da Embratel, ao lado do bairro São Francisco, estão apavorados com a possibilidade de desmoronamento em pelo menos quatro ruas. Dezenas de moradores podem a qualquer momento protagonizar uma tragédia, já que o ritmo intenso das chuvas vem acelerando a queda dos barrancos.
A dona de casa Kátia Cilene Firmino Barbosa, 47, é uma das vítimas iminentes da queda de terra. Divorciada há dois meses, ela diz não ter para onde ir e sobrevive apenas com doações de amigos e da sogra, que possui um pequeno bar no bairro Montanhês.
“Se a casa cair durante o dia, quando nem eu nem os meus três filhos estivermos em casa, tudo bem. Mas se cair à noite, morre todo mundo, porque não temos para onde ir”, explica a mulher, acrescentando que, durante as chuvas, é obrigada a sair de casa. “O chão treme e a louça cai de cima das prateleiras”, reclama.
A Associação de Moradores explica que já mandou ofícios à prefeitura pedindo soluções para o problema, mas nada foi feito. Há cerca de uma semana a Defesa Civil Municipal fez uma avaliação do local e concluiu o óbvio: a região inteira é “imprópria para habitação humana”.