
UCI da Maternidade volta a funcionar após morte de três bebês prematuros
Direção clínica nega que tenha havido infecção hospitalar e critica alarme e informações conflitantes da imprensa
ALTINO MACHADO
O atendimento na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) da Maternidade Bárbara Heliodora (MBH) foi retomado ontem depois do registro da morte de três bebês prematuros na semana passada. “A UCI já passou por desinfecção de rotina e continua funcionando normalmente”, afirma a direção clínica da MBH em nota de esclarecimento distribuída ontem.
A direção da MBH nega que a morte dos três bebês prematuros na UCI tenha sido decorrente de infecção hospitalar. Essa hipótese já havia sido descartada anteontem pelo diretor da MBH, o médico Júlio Eduardo, que admitiu na ocasião a possibilidade de que os bebês tivessem sido vítimas de uma bactéria desconhecida.
A UCI da MBH, que é a única existente no Acre, atende crianças nascidas na maternidade e em outras unidades particulares ou públicas, da capital e do interior.
A morte de bebês na UCI da MBH resultou na publicação de informações conflitantes nos quatro jornais diários de Rio Branco e no jornal O Globo, de circulação nacional.
O Página 20 e O Rio Branco noticiaram a morte de três bebês, baseados em informações da direção da MBH. A Gazeta noticiou a suposta ocorrência de quatro mortes, A Tribuna de seis mortes e O Globo de cinco mortes.
“O alarme feito por alguns veículos de comunicação não tem a menor procedência e em nada contribui para a consolação das famílias ou a superação do problema”, criticou Júlio Eduardo.
RISCO - A direção da MBH assinalou que, clinicamente, uma criança nascida prematura tem menos chance de vida que uma criança nascida de nove meses. “Logo, toda criança que se encontra sob cuidados especiais numa UCI está com a vida sob risco.”
Júlio Eduardo disse que, desde a implantação da UIC na MBH, dezenas de crianças prematuras foram salvas, quando na realidade não teriam nenhuma condição de sobrevivência.
“Mesmo com todos os cuidados e a total atenção da equipe de saúde que atua na UCI, algumas crianças, em razão do quadro clínico que apresentam, vão a óbito”, ponderou o médico. Segundo Eduardo, a equipe faz tudo o que está ao alcance para que todas as crianças sobrevivam, mas, infelizmente, algumas delas não resistem.
Os três recém-nascidos que morreram na MBH eram das mães Cláudia da Silva, Leise Cristina dos Santos e Luana da Silva Gomes.
DIAGNÓSTICO - A direção clínica da MBH revelou que o filho de Cláudia da Silva nasceu prematuramente e foi internado na UCI no dia 13 de fevereiro porque apresentava estado clínico grave. “Resitiu por 15 dias e foi a óbito em 28 de fevereiro por infecção neonatal.”
O recém-nascido de Leise Cristina dos Santos foi transferido de outro hospital para a UCI no dia 14 de fevereiro, às 16 horas, e já apresentava estado clínico grave.
O médico disse que o bebê recebeu toda a atenção de praxe, mas morreu no dia 28 de fevereiro, vítima de cardiopatia congênita (má-formação do coração).
A direção do MBH informou, ainda, que os recém-nascidos de Luana da Silva Gomes, gêmeos prematuros de parto cesariano ocorrido na MBH, foram internados dia 23 de fevereiro, às 22h30.
Segundo o diretor do MBG, um deles foi a óbito por prematuridade dia 3 de março e o outro continua em observação, sob risco de vida, recebendo cuidados especiais na UCI.
Secretário promete transparência na apuração
O secretário de Saúde Cassiano Marques disse ontem, por telefone, antes de participar de uma reunião no Ministério da Saúde, que havia determinado na segunda-feira a suspensão das internações na UCI como providência para prevenir o risco de mais mortes.
Na quarta-feira, mesmo ausente do Estado, o secretário determinou a abertura de sindicância para apurar a causa da morte dos três bebês. Marques disse que todos os envolvidos no atendimento serão ouvidos e que o resultado da sindicância resultará em punições ou na mudança de procedimentos na UCI.
“A morte de três crianças me deixou surpreso, embora o risco de infecção hospitalar seja presente em qualquer hospital do mundo”, afirmou Marques, ressaltando uma premiação nacional e outra regional conferida à UCI do MBH.
O secretário disse que a verdade vai aparecer com a sindicância, que se baseará nos depoimentos dos implicados e na análise das amostras colhidas pelos médicos do material usado nos bebês.
“Vamos continuar dando esclarecimentos com a máxima transparência. Isso é necessário para que a gente possa continuar implantando as mudanças necessárias para atingir a qualidade do atendimento”, afirmou Marques.
Segundo o secretário, a comissão conta com prazo inicial de 30 dias para concluir o trabalho. Marques disse que a comissão de sindicância é integrada pelo médico Júlio Eduardo, pelo infectologista Eduardo Farias e por uma enfermeira especialista em procedimento neonatal.