
Diariamente, no fechamento de uma edição de jornal, o editor vive o drama de ter que decidir sobre detalhes que vão da escolha da foto à escolha da reportagem que sustentará a manchete.
Essa editoria viveu esse dissabor na noite de quarta-feira, quando teve que decidir no apertado da hora sobre a ausência de morte entre mais de 80 mil pessoas que prestigiaram a Folia na Gameleira e a morte de três bebês prematuros na Unidade de Cuidados Intensivos da Maternidade Bárbara Heliodora.
Decidimos por destacar em manchete a primeira, tendo como sub-manchete a morte dos três bebês. Essa decisão levou em conta a preocupação de que a apuração insuficiente de nossa reportagem pudesse resultar em alarme inconseqüente.
Naquele instante, as próprias autoridades do setor de saúde pareciam inseguras em compreender plenamente o que havia acontecido para causar a morte dos três bebês.
O que se viu ontem na imprensa acreana veio a corroborar com a prudência adotada por esta editoria em relação ao caso. Os quatro jornais diários publicaram versões profundamente conflitantes sobre o mesmo episódio.
Este jornal e O Rio Branco noticiaram o registro de três mortes, baseados nas informações da direção da Maternidade Bárbara Heliodora. A Gazeta noticiou quatro mortes. A Tribuna informou ao seus leitores seis mortes e o jornal O Globo, de circulação nacional, cinco mortes.
A nota de esclarecimento distribuída pela direção da Maternidade, mesmo tardiamente, servirá para tranqüilizar a população, que não pode prescindir do atendimento de qualidade de um hospital cujo reconhecimento está expresso em uma premiação nacional e outra regional.