
Raimundo F. Souza *
Não somente se constitui um poder paralelo com comando e normas rígidas, como também tem força para afrontar o sistema oficial de segurança e colocar grande parte da sociedade como refém. Isso foi demonstrado nesses dias próximo passados, com a ação sistemática de queima de carros do transporte coletivo, fechamento de comércio, toque de recolher, entre outras peripécias, e mais evidente ainda no período do Carnaval, quando mais de cinco mil homens do Exército tiveram que se mobilizar nas ruas da Cidade Maravilhosa, sitiando literalmente a área do Sambódromo, para permitir que acontecesse o grande espetáculo de luzes, cores, luxúria, tecnologia, mulheres e mais mulheres, e a televisão, através de um show de efeitos, mostrasse para o Brasil e resto do mundo.
Como será dominada essa situação é uma das perguntas que povoam nossa mente? Como será impedido o avanço dessa “industria” do crime organizado? E que providências devem ser tomadas para que essa bandidagem não alastre feito praga pelo resto do país e como impedir sua consolidação?
Sem duvida, essa forma de fazer espetáculo para inglês ver tem um custo muito alto e pode chegar o momento - especialmente pela rapidez com que os fora-de-lei estão evoluindo - em que não se consiga mais esconder dos gringos as “enfermidades internas” do país e a essa altura nossa própria sobrevivência estará em risco maior que nos dias atuais.
A propósito, vale ressaltar que as medidas e atitudes dos governantes terão que ir além da teoria, pois se teoria e vontade popular resolvessem, o problema da violência estaria totalmente resolvido no Brasil e no mundo, uma vez que mesmo em momentos de diversão o brasileiro não deixa de ser otimista e sensível aos problemas por que passa o país, fato demonstrado individualmente, de forma coletiva - blocos, escolas de sambas e demais manifestações públicas, que a maior ansiedade do povo é pela paz, inclusive, a minha escola, que nesse momento, ainda não tenho o resultado da apuração e que apresentou o enredo sobre a paz, deve ser a vencedora.
Todavia, pedidos de paz em cartazes, placas, enredos de escola de samba, pintados em camisetas rostos, entre outras manifestações teóricas, servem somente para manter o problema na lembrança do povo, mas o mal do crime organizado continua, inclusive se sentido importante, poderoso, pois suas ações, além de estarem surtindo efeito, estão sendo divulgadas para todo o país.
Bem, pra frente é que se anda e a fé continua. Vamos ter a esperança de que se encontrem as alternativas para barrar a força e o avanço dos criminosos que atuam nas sombras, à margem da sociedade.
Aqui em Rio Branco, além de algumas dívidas atrasadas, algumas ressacas mal curadas, algumas recordações boas, alguns arrependimentos causando mal-estar e ressaca moral, e algumas pessoas julgando-se impolutas por não ter se envolvido na folia, o resto foi só alegria na quina momesca.
E os foliões que “soltaram a franga” nos blocos de sujo, fantasiados de mulher, falando fino e desafinados, comunicam que essa transviadagem é somente no Carnaval.
De resto, em se tratando de festa como divertimento popular, foi tranqüila - o bloco dos policiais desempenhou seu papel, as famílias compareceram à Gameleira na boca-da-noite e o povão continuava frente à prefeitura, “entre tapas e beijos”, noite adentro, inclusive, conseguindo harmonizar, logicamente a custo de dedicação da segurança, o que outros Estados possivelmente não conseguem: reunir a rapaziada de vários recantos da cidade, na mesma folia, conforme suas próprias linguagens, enviando até recados pela TV, beijos e abraços para os amigos e familiares, incluindo cumprimentos e saudações para os detentos da “Papudinha” e da Francisco de Oliveira Conde. Esse exemplo tem que ser copiado pelos cariocas e pelo Bush!