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Rio Branco - Acre, sábado, 8 de março de 2003
Nós, as mulheres!

Perpétua Almeida *

No Brasil somos 86.223.155 mulheres, 50,77% da população. No Acre, representamos 49,60%, totalizando 276.543 mulheres na nossa terra. Somos muitas, inúmeras, e baseadas nesta referência numérica podemos verificar a importância da mulher nas sociedades brasileira e acreana.

A tarefa diária de ser mãe e companheira nos enobrece, fazemos com competência o que é natural. Porém sempre queremos mais, pois sabemos que temos capacidade. Já estamos nas cooperativas, associações, sindicatos, ONG´s, empresas, parlamentos, executivos. Entretanto, quando olhamos para o lado, vimos que precisamos ter companhia feminina. Mais mulheres construindo um belo amanhã.

Se somos bons exemplos, não podemos deixar embaixo do tapete os males que nos afligem. Violência doméstica, estupros, dificuldades no acesso à saúde, à boa educação e, acima de tudo, o pior sentimento que se possa ter: o preconceito. Temos o dever quotidiano de vencer esse mal que tanto nos aflige. Lutar, denunciar, exigir rápidas soluções e punição aos agressores é nossa tarefa.

Somos nós que, com nossa sensibilidade mais afinada, defendemos a construção de um ambiente pacífico. Neste mundo globalizado, onde a violência é manchete a todo instante, nós sofremos juntas. Estas ações bárbaras trazem sofrimento à inúmeras mães em todo mundo. E nós acreanas somos testemunhas, quando vimos estarrecidas as crueldades do esquadrão da morte, que assassinou brutalmente filhos, maridos e irmãos.

Se 8 de março é nosso, é de reconhecer que todo dia é dia de mulher. As inúmeras companheiras que a todo momento fazem ações de resistência têm a mesma importância das 129 mulheres incendiadas em Nova York, em 1857, quando lutavam por justas condições de trabalho. São heroínas anônimas, que tijolo a tijolo, constróem a dignidade que temos e a que queremos.

Hoje inauguramos significativos espaços na esfera executiva. No Brasil da atualidade, uma das mudanças mais expressivas foi a iniciativa de se estabelecer cotas para candidaturas femininas a cargos eletivos, com a aprovação da lei que obriga um mínimo de 30% das vagas para mulheres. O resultado dessa iniciativa vem sendo a crescente ampliação de mulheres na arena do poder. Hoje somos 54 Parlamentares no Congresso Nacional; éramos 37, na antiga Legislatura. Estamos nos Ministérios, em Secretarias, em Governos estaduais e em Câmaras Municipais pelo Brasil afora.

Relevante ação aqui no Acre é a criação da Secretaria Executiva da Mulher. Proposta pelo Movimento e acatada pelo Governador Jorge Viana, a Secretaria é exemplo de ação para todo Brasil. Avançamos na construção de políticas públicas de gênero, onde a busca de ações coletivas de governo possam contribuir para um maior entendimento e crescimento coletivo.

Nós acreanas temos história. Honra-nos ter sido o Acre a enviar a primeira mulher ao Congresso Nacional, a Sra. Laélia Alcântara, a primeira Senadora negra do Brasil. Tivemos também a primeira Governadora no Brasil, a Dra. Iolanda Lima, e é também acreana a primeira Presidenta de um Tribunal de Justiça, a Dra. Eva Evangelista. É acreana também uma das mulheres mais importantes do planeta hoje, a nobre Ministra do Meio Ambiente, Senadora da floresta e seringueira, a companheira Marina Silva.

A história da nossa terra é preenchida de grandes nomes, heróis da Revolução Acreana. E nos cabe fazer a seguinte pergunta: Estavam as mulheres de braços cruzados durante a revolução? Claro que não. Temos que resgatar a história das combativas revolucionárias que contribuíram para que este solo seja brasileiro.

À luta, companheiras!

* Deputada-PCdoB/Acre

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