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Rio Branco - Acre, domingo, 9 de março de 2003

Memorial do Craque

Cedida

Rio Branco, 1979. Em pé, da esquerda para a direita: Paulo Roberto, Cleiber, Tião, Vilson, Illimani e Chicão. Agachados: Miltinho, Ely, Nino, Adalberto e Irineu

Vilson: um volante de
futebol elegante e vistoso

De São Paulo para o Acre, uma viagem sem possibilidade de retorno

Nascido em Martinópolis (interior de São Paulo), em 16 de janeiro de 1953, o volante Vilson Pastro começou a sua carreira dentro dos gramados aos 20 anos, nos juvenis do Linense (da vizinha cidade de Lins), tendo como companheiros, entre outros, Leivinha e Cardosinho, jogadores que depois ficaram famosos em nível nacional atuando pela Portuguesa de Desportos.

De estilo elegante, sempre duplamente preocupado em desarmar o adversário e sair jogando, jamais apelando para os recursos da trombada e do chutão, Vilson logo chamou a atenção de outros clubes. E assim, já na temporada seguinte, em 1974, mudou-se para o Cafelandense, onde por vários anos disputou a segunda divisão de profissionais do campeonato paulista.

Em 1977, seguindo os passos do pai, Milton Pastro, um fazendeiro que comprara terras no Acre em 1975, Vilson mudou-se para cá, sendo imediatamente levado para fazer um teste no Rio Branco. Para o Estrelão foi uma espécie de presente caído do céu, uma vez que o então titular da posição, Tadeu Belém, acabara de se transferir para o George Wilstermann da Bolívia.

Já na estréia, no chamado “clássico vovô do futebol acreano”, uma vitória inesquecível de 1 a 0 contra o Independência, com gol de Bruno Couro Velho. A escalação ele lembra até hoje, como se o jogo tivesse acabado de acontecer: “Illimani; Grassy, Cleiber, Luís Carlos e Duda; eu, Mário Vieira e Said; Ely, Bruno Couro Velho e Caíca”, diz como se recitasse uma poesia.

De 1977 até o final de 1979, Vilson defendeu o Rio Branco, conquistando vários títulos, inclusive o do Copão da Amazônia, na última temporada. Quando em 1980 resolveu trocar de camisa, mudando-se para o Independência, sobreveio o final prematuro da carreira. Uma lesão nos meniscos do joelho esquerdo o tirou definitivamente de campo.

Cedida

Rio Branco, outra formação de 1979. Em pé, da esquerda para a direita: Mário Sales, Luiz Carlos, Zé Gilberto, Chicão, Brito, Illimani e Sebastião Alencar (presidente). Agachados: Roberto Ferraz, Nino, Mário Vieira, Bruno e Vilson

Expulsão única vira manchete nacional

Apesar de ter jogado numa posição onde o choque físico com os adversários era uma espécie de regra (continua sendo atualmente), dada a necessidade da destruição das jogadas do ataque inimigo, Vilson foi expulso de campo uma única vez. Foi no Copão da Amazônia de 1977, em Macapá.

“O jogo era contra o time da casa, o Macapá. O nosso time jogando bem melhor. Do lado deles, porém, atuava um cidadão de preto chamado Hermínio Bíscaro. O cara além de inverter faltas ainda anulou um gol legítimo nosso. Empatamos em 1 a 1 e perdemos na disputa de pênaltis. Eu não agüentei, parti para cima do ladrão e fiz uma carícias na cabeça dele”, explica divertido.

A expulsão foi parar nas páginas da revista Placar. O detalhe pitoresco é que Vilson não passou nenhuma partida sem jogar em decorrência do fato. Como a condenação de um ano só valia para o Copão, na edição seguinte ele já havia cumprido a pena e estava liberado.

Os melhores do futebol acreano em todos os tempos

Como vários outros personagens do Memorial do Craque, Vilson fica incomodado ante o desafio de escalar um time com os melhores do futebol acreano em todos os tempos. “Tinha muita gente fantástica”, afirma.

Só com muita insistência, ele arrisca o seguinte time: Illimani; Grassy, Chicão, Neórico e Duda; Tadeu, Mário Vieira e Carlinhos; Ely, Bruno e Laureano. Mas faz questão de citar também como excepcionais os nomes de Dadão, Emilson, Bico-Bico, Escapulário, Nino e Zé Augusto.

Dois técnicos pairam acima da média na opinião do ex-craque: Antônio Leó e Té. “O primeiro transmitia muita segurança aos atletas. O segundo sabia tudo sobre os caminhos e segredos da bola”, garante.

Amor ao Acre acima de qualquer coisa

CedidaDepois de abandonar os estádios, Vilson ainda chegou a passar uns anos no interior de São Paulo, junto aos familiares. Mas um dia a saudade bateu forte, ele botou a mala nas costas e voltou para o Acre. “Daqui eu não saio nem morto, eu amo esta terra e os acreanos”, faz questão de dizer.

Quanto ao atual estágio do futebol, tanto em nível local quanto nacional, ele dispara uma opinião definitiva em forma de sentença: “Jogadores com a técnica e a categoria de antigamente, nunca mais. Só se a ciência descobrir um jeito de clonar os ídolos do passado. Só assim”, diz gargalhando.

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