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Rio Branco - Acre, terça-feira, 11 de março de 2003
Júnior Betão

Deputado defende políticas para
inserir o jovem no mercado de trabalho

Leonildo Rosas

Leonildo RosasTrabalhar incansavelmente para oferecer aos jovens emprego, educação, lazer e todas as oportunidades necessárias para inseri-los na sociedade. Com essa bandeira, o deputado federal Edilberto Afonso de Morais Júnior, o Júnior Betão, pretende se destacar na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Eleito pelo PPS nas eleições de 2002, com 11.933 votos, Júnior Betão é o segundo deputado mais jovem do Congresso Nacional - apenas o neto do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), Antônio Carlos Magalhães Neto, do mesmo partido do avô, é mais jovem que ele.

Casado com Marcella Suelma e pai de Juliana, 2 anos, Júnior Betão falou com exclusividade para o Página 20, ontem na sede do seu partido, em meio à festa de comemoração do seu 26º aniversário. Veja os principais trechos da entrevista.

Deputado, em que área específica o senhor pretende atuar na Câmara?

Fui para Brasília com o dever de atuar em todas as áreas que interessam ao desenvolvimento do Estado. Mas, por ser jovem e ter obtido uma votação expressiva entre os jovens, tenho o compromisso com a juventude do Acre e do país. Por isso, eu e mais alguns deputados jovens estamos batalhando para a constituição de uma comissão especial voltada para a juventude.


Qual foi o primeiro passo para a constituição dessa comissão?

Enviamos um requerimento ao presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), reunimos com a bancada jovem, que é composta por 28 deputados com idade abaixo de 35 anos, e fizemos várias reuniões. Por último, reunimos com o próprio presidente, que nos atendeu bem e se interessou pela formação da comissão.

O senhor, com apenas 26 anos, não se assustou ao chegar em Brasília e se deparar com mais 512 deputados, sendo a maioria experiente na arte da política?

Um dos motivos da união da bancada jovem dentro da Câmara dos Deputados é justamente para criar nossos espaços, a fim de termos voz ativa. Não dá para negar que existem alguns caciques na política nacional no Congresso e nós nos sentimos um pouco desprezados ou sem o espaço necessário para expor nossas idéias.

E qual seria o principal objetivo dessa comissão da juventude?

Seria o de atrair a juventude para um debate político. Hoje temos uma pesquisa na qual, em cada três jovens, dois gostam de política e um tem preocupação com o tema. Então, falta apenas criarmos as condições necessárias para os jovens participarem mais ativamente.

O senhor participava ativamente da política antes de se candidatar?

O meu tio Tarcísio Pinheiro está no quarto mandato de deputado estadual. Influenciado por isso, sempre tive vontade de entrar na política porque vejo que há um espaço muito grande a ser conquistado.

Deputado, e para a juventude acreana, o que especificamente o senhor pretende fazer?

A juventude acreana, como a do país, necessita, principalmente, de emprego. O presidente Lula da Silva falou justamente sobre o primeiro emprego no seu discurso de posse. No nosso programa da comissão especial da juventude o tema será o carro-chefe. Fazemos isso porque observamos que não adianta apenas qualificar os jovens. É preciso gerar mais empregos. Conversei com o senador Tião Viana e com seu irmão, o governador Jorge Viana, e eles me disseram que o grande desafio será o de implantar indústrias no Estado. É preciso criar opções para empregar a juventude. Temos que fazer alguma coisa porque os jovens, infelizmente, estão à mercê da própria sorte.

Além da juventude, o senhor também é ligado aos pecuaristas - seu pai é um dos maiores fazendeiros do Acre. O senhor pretende integrar a bancada dos ruralistas?

Eu ainda não pensei em entrar na bancada dos ruralistas. Mas já estou atuando e ajudando no trabalho deles. Tenho contato com o pessoal da pecuária. Entrei na política para defender os interesses do Estado, do país e do povo. Mas não resta dúvida de que a agricultura e a pecuária são os setores que mais se desenvolvem no Brasil. Por isso, temos que ter uma atenção especial para essas duas áreas importantes da economia.

Os fazendeiros hoje têm o mesmo medo que tinham de um governo petista como no passado?

Não. A imagem é outra. Temos conversado com alguns pecuaristas e eles demonstraram que não têm mais qualquer receio do governo do PT.

Então, o Governo da Floresta convenceu os pecuaristas?

Creio que sim, pois mudou o discurso. Essa mudança de postura dos fazendeiros é fruto do trabalho que o governador Jorge Viana vem fazendo no nosso Estado.

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