
Capina autônoma de quintais com roçadeiras ganha espaço na periferia
Homem passa o dia derrubando capim dos quintais de Rio Branco para sustentar a família
A vida de Valmir Bezerra, 33, retrata exatamente como é a rotina das pessoas que, por falta de emprego, optam pelo mercado informal.
Cinco horas da manhã, o relógio desperta indicando que é hora de ir à luta. As 7h30 ele sai de sua casa, no bairro Jorge Lavocat, e percorre vários bairros da capital batendo de porta em porta à cata de algum quintal ou terreno para roçar. Todas as ferramentas necessárias para o trabalho, como a roçadeira inseparável, comprada segundo ele com muito sacrifício, são colocadas na moto. Há anos a rotina é a mesma na corrida. E no pensamento: a sobrevivência da família.
“Sinto falta de ter mais tempo com minha família, mas tenho que sair para roçar os quintais. Caso contrário eles passam fome”, conta.
Natural do Ceará, Valmir veio para Rio Branco há 11 anos. Diz ter feito de tudo um pouco desde que chegou a capital. Mas para ele não existe empecilho, pois desde criança está acostumado com a labuta.
“Minha família não tinha boas condições financeiras, não podia ir à escola com freqüência. Só lamento por não ter tido a sorte que muitas pessoas tiveram. Mas não desisto com as dificuldades”, disse.
RISCO - Há sete anos limpando quintais e terrenos, Valmir diz que a profissão é muito perigosa. Ele conta que várias vezes se feriu com pedaços de pau que ficam no meio do mato, tendo que ficar por dias sem trabalhar.
“Eu já voltei para casa bastante ferido. Certa vez eu estava fazendo o serviço em um terreno que tinha o mato muito alto e quando passei a roçadeira um pedaço de pau bateu em minha perna e fez um corte profundo”, recorda.
Competição entre diversos
trabalhadores derruba preços
Valmir diz que ter escolhido trabalhar no ofício hoje já não compensa. Ele alega que pelo aumento do desemprego outras pessoas aderiram ao serviço e hoje a atividade não é tão lucrativa como antes.
“Hoje a situação está horrível. Eu saio de casa e não consigo fazer nada. Tem dias que não consigo nem o dinheiro para comprar o pão, mas, graças a Deus, nunca passamos fome”, diz, acrescentando que está à procura de um novo emprego.
“O que também piora a situação é o aumento das coisas. Além de ter que comprar gasolina para a moto, tenho que comprar para a roçadeira. Aí o custo fica bem mais alto”, afirma.
Uma reclamação de Valmir se refere as despesas com a casa. A conta de luz deste mês, segundo ele, foi de 60 reais. “Paguei esse valor e não sei o motivo. Eu não tenho quase nada dentro de casa e tenho que pagar esse absurdo no final do mês.”
Para conseguir sair do aperto financeiro que passa atualmente, ele diz que está apelando para tudo. “Quem quiser contratar meus serviços, eu hoje estou fazendo tudo que aparece. É só ligar para o 228-1887 e falar com o Valdir”, anuncia.