
Super Liga Acreana desenvolve
o Kung Fu adolescentes
para tirá-los da ociosidade e da exclusão em que vivem
Rose Farias
Utilizando o Kung Fu como uma arte marcial que une o competitivo ao terapêutico trabalhando o espiritual e o respiratório, a Liga Acreana de Kung Fu vem desenvolvendo com oito associações no Estado, quatro na capital e quatro no interior, projetos sistemáticos atingindo um total de 2500 praticantes, entre crianças, adolescentes e adultos.
Para
o Glenilson Araújo, professor Nil, campeão nacional e internacional
do estilo marcial, a prática do Kung Fu no Estado vem ganhando uma
nova roupagem, ou seja, não se fundamenta somente na competitividade.
“Hoje o trabalho que está sendo desenvolvido não é voltado para o lado competitivo apenas, da seleção do atleta, mas de trabalhar a qualidade física e na melhoria da qualidade de vida dos adolescentes, desenvolvendo atividades ocupacionais para tirá-los da ociosidade e da própria exclusão em que vivem”, explica o professor.
Esse fundamento vem de encontro a antiga prática cujo o registro histórico mais antigo é datado do ano de 2674 antes de Cristo, foi nesta data que o imperador Huang Ti (conhecido como Imperador Amarelo), famoso por vários fatos (inclusive o de ter sido ele o criador do 1º calendário), enfrentou e derrotou um exército de rebeldes numericamente maior ao seu. Essa vitória é atribuida a uma equipe especialmente treinada nos movimentos que imitavam os animais em luta, o Kung Fu. Voltando os olhos para o ocidente, o Kung Fu é usado para classificar as artes de luta de origem Chinesa. Pode ser traduzida por Destreza - Habilidade - Maestria.
Um outro fator importante é que o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Liga Acreana, segundo o professor Nil traz em sua essência o resgate da dignidade dessas crianças e adolescentes.
“Muitos queriam praticar o Kung Fu, mas não tinham condições de pagar, esse trabalho que estamos desenvolvendo resgata todo esse lado de cidadania, por meio de uma atividade esportiva, que ao mesmo tempo é terapêutica e trabalha o espiritual e o respiratório”, diz.
Buscando a harmonia e o equilíbrio
Uma arte de luta que traz 365 estilos reconhecidos pela China, que se dividem em externos e internos, o Kung Fu praticado no Estado, segundo o professor Nil, busca um equilíbrio entre as duas classes. Ele conta que o nível interno trabalha mais o lado terapêutico, a respiração, concentração e meditação toda essa gama de atividades. E já o nível externo é mais pesado, trabalha o alto impacto e o competitivo.
“Na China se trabalha com a criança com o intuito de recreação e quando chega a fase da adolescência se começa a trabalhar o competitivo, e já na fase adulta eles trabalham para conservar a cultura deles. Nós aqui, tentamos levar para a pratica essa mesma linha de pensamento”, explica Nil.
Projetos para qualificar multiplicadores
Para o ano de 2003 alguns projetos encampados pela Super Liga Acreana de Kung – Fu estão na perspectiva de receber recursos oriundos das emendas apresentadas no Congresso e na Câmara dos Deputados, pelo senador Tião Viana e o deputado federal Nilson Mourão, caso sejam aprovadas, segundo o professor Nil, o trabalho que será desenvolvido irá permitir a duplicação do número de praticantes e atletas da arte marcial entre outras ações.
“Esse número aumentará e também poderemos estender os projetos para os municípios que não desenvolvem esse tipo de atividade e fortalecer o trabalho que já está sendo desenvolvido, com a construção de sedes para as entidades, formar multiplicadores e qualificar os atletas que estão na área”, explicou Nil ressaltando que mesmo antes de serem aprovadas as emendas a Super Liga se prepara para realizar no mês que vem cursos de primeiros socorros, recursos humanos, com parceria do Corpo de Bombeiros e Secretaria de Educação.