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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 14 de março de 2003

Garoto de 12 anos é agredido pelo padrasto ao tentar defender a mãe de espancamento

Familiares levaram socos, tapas e empurrões, ficando com hematomas pelo corpo; caso foi parar na delegacia

J. Guimarães

O menor R. B. M., 12 anos, teve o rosto deformado a socos e pontapés pelo padrasto João Batista Rodrigues da Silva, 32, quinta-feira à noite, ao tentar socorrer a mãe, Elisabete Barroso de Araújo, 28, da agressividade do esposo, que chegou em casa embriagado e tentou matá-la com uma faca.

João desferiu um soco no olho da criança causando hematomas que resultaram numa deformação temporária do rosto. O soco também atingiu o maxilar da vítima, deixando-a impossibilitada de mastigar.

“Meu queixo dói quando tento abrir a boca e por isso estou me alimentando somente com líquidos. Meu olho também dói bastante e para aliviar a dor a minha avó está passando uma pomada anestésica que ela trouxe do pronto-socorro,” relata o menino.

R.B.M. foi espancado ao tentar livrar a mãe das garras do marido, que mais uma vez passou o dia bebendo em um bar na Vila Betel, onde mora, e ao chegar em casa discutiu com a mulher e tentou matá-la com uma faca.

Anteontem, a exemplo das outras vezes em que João Batista se embriagou, ele quebrou os moveis, surrou a enteada C.B.M., 10 anos, e agrediu fisicamente a esposa Elisabete, que para escapar se trancou no quarto. Mas ele arrebentou a porta e encostou a faca no pescoço dela para matá-la. O garoto se agarrou com a mãe para protegê-la com o próprio corpo e foi esbofeteado.

Enquanto isso a menor C.B., pulava o muro, ia até o orelhão da esquina e chamava a polícia. Mas quando a equipe da PM chegava ele fugiu, deixando para trás um rasto de destruição dentro de casa.

Elisabete levou o filho ao PS e depois procurou a Delegacia do Menor para denunciar o marido por espancamento ao enteado. Em seguida ela foi à Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher e registrou outra queixa, na qual Elisabete e a filha são as vítimas.

Segundo a mãe de Elisabete, Eva Almeida Barroso, o genro é motorista de ônibus, mas há muito tempo não aparece na empresa alegando problemas de saúde, no entanto usa o tempo vago, adquirido por meio de atestados médico para beber cachaça e promover desordem em casa todas as vezes que fica de porre.

“Sou cangaceiro e vou lhe matar”

Ontem de manhã João Batista ligou para casa e jurou que iria matar Elisabete quando ela fosse trabalhar. A vítima voltou à Delegacia da Mulher e comunicou o fato à chefe de equipe, mas segundo ela, a policial declarou que não podia fazer nada, e a única coisa que estava a seu alcance era marcar uma audiência com Elisabete, João Batista e a delegada para daqui a um mês. Nesse tempo, a vítima ficaria sob a proteção da própria sorte.

Elisabete trabalha de cobradora de ônibus e sai de casa todos os dias às 3h30 da madrugada para pegar a condução na rua principal do bairro. O caminho é escuro e ela sabe que ao fazer o percurso, de quase um quilômetro, sempre nos mesmo horário, se torna um alvo fácil para o ex-marido.

“Sei que ele vai tentar me matar a caminho do trabalho, como prometeu, mas eu tenho dois filhos para criar e não posso largar tudo para ficar em casa aguardando que a polícia resolva prendê-lo. Eu registrei queixa contra ele, mas a policial marcou uma audiência, ainda, para o dia 17 do próximo mês. Até lá eu posso já está morta.”

A plantonista da Delegacia da Mulher disse ao Página 20 que a agenda de audiências com a delegada obedece a ordem de registro, e no caso de Elisabete existem várias outras queixas na frente dela. Sob a possibilidade de sair à procura do acusado a policial ressaltou que já tinha passado do prazo de flagrante e agora para sair em diligencia só com a ordem da delegada, talvez, segundo a policial, depois da audiência do dia 17.

Ousadia

Quatro homens encapuzados Invadiram a fazenda Saraiva, no quilometro 17 da Estrada Transacreana, às 23 horas de quarta-feira, amarraram o caseiro Juvenal Freitas da Silva, 43, a filha Ana Paula Freitas da Silva, 15, para roubar vários objetos.

Os bandidos prenderam as vítimas em um dos cômodos da casa enquanto reviravam os outros à procura de dinheiro e objetos de valores. Depois de passar quase meia hora no interior da casa, a quadrilha fugiu levando uma motosserra, um aparelho de televisão e todos os utensílios de cozinha da fazenda.

Antes de fugirem os bandidos ainda teriam espancado o caseiro e ameaçado voltarem para matar a família dele se caso chamasse a polícia. Mas Juvenal não se inibiu com a ameaça e procurou a 6a Unidade de Segurança Pública, no bairro Sobral, para registar queixa.

O Comando de Operações Especiais (COE) e o grupo antiassalto da Polícia Civil (GAPC) foram até a fazenda à procura de mais informações a respeito da quadrilha, mas retornaram de mãos vazias.

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