
Apesar da abundância de água na Amazônia e, conseqüentemente, no Acre, Rio Branco sempre foi uma cidade onde os consumidores se ressentiram da falta da mesma nas suas torneiras. Situação pode-se afirmar, sem medo de errar, absurda, para se dizer tudo numa só palavra.
Sucessivamente, ao longo dos anos, sob responsabilidade do Estado e do município, não foram raras as vezes em que o cidadão comum, principalmente aquele que mora na periferia da cidade, teve que sair da sua residência para a faina diária sem poder proceder a sua higiene corporal.
Nesse cenário surreal proliferavam os poços artesianos, vertentes e córregos, muitos dos quais contaminados, fato que, certamente, até os dias que correm contribui para a proliferação de vários tipos de endemias, facilmente evitáveis se o serviço de abastecimento de água fosse feito de maneira correta.
Felizmente, a julgar pelas últimas ações dos poderes públicos estadual e municipal, esta é uma realidade com os dias contados: o Governo do Estado e a Prefeitura de Rio Branco acabam de criar uma gestão compartilhada do Saerb – a companhia de distribuição de águas, fonte primeira do problema.
Sem dinheiro sequer para manter funcionando adequadamente a estação de tratamento de água, ou, mais grave ainda, para fazer os investimentos necessários de infraestrutura na rede de saneamento, a prefeitura, desta forma, ganha um reforço vital da máquina do Estado.
A expectativa, agora, é a de que, já nas próximas semanas, usando uma imagem popular como força de expressão, o serviço de distribuição de água e saneamento básico da capital dos acreanos mude da “água para o vinho”. Não como milagre, mas sim com a união de todas as forças.
Finalmente, sinaliza essa união de forças, parece estar se esvaindo pelo ralo o tempo em que se fazia política nesta terra com os olhos voltados para próprio umbigo. Governo e Prefeitura unem-se para o bem comum.