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Rio Branco - Acre, sábado, 15 de março de 2003
Senador Guiomard pede socorro

O apelo dramático dos moradores de Senador Guiomard ocorrido ontem espelha com perfeição a situação caótica da vida naquela cidade. Os investimentos públicos não acompanharam com a devida igualdade o crescimento da população durante décadas de crescimento e do lógico desenvolvimento da economia rural numa cidade ainda com poucas iniciativas de indústrias de transformação.

Para completar esse quadro, o verdadeiro desastre administrativo da gestão Antônio Marizia deu à cidade uma aparência inchada, lerda, portadora de mazelas urbanas tão graves que justificariam, sem dúvida, uma intervenção estadual ou mesmo federal.

É o caso de extensos capinzais e lamaçais em pelo menos quatro bairros (todos extremamente populosos) e da falta do mínimo de estrutura para os colonos, na zona rural. Esse filme Rio Branco já viu. Décadas de abandono e a ausência de políticas sérias de apoio ao homem do campo pariram o recrudescimento da violência a níveis insuportáveis e de uma absoluta ausência de uma “identidade cultural” - que pudesse servir, ainda no caso de Rio Branco, para viabilizar o propalado “turismo ecológico”, por exemplo.

Como explicar o descaso com o dinheiro público em Senador Guiomard? Da mesma forma que em qualquer outra cidade: é pura incompetência, mesmo com todos os perigos proporcionados pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que pune até com prisão prefeitos larápios ou maus administradores.

Os moradores de Senador Guiomard (esse minúsculo pedaço de chão acreano, cuja soma de moradores não chega a 4% do total do Estado) deram uma lição de acreanidade. Sim, a manifestação em prol da liberdade e o anseio por mudanças fazem parte da alma e do modo de ser acreanos.

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