
O arcebispo de Porto Velho, dom Moacir Grechi, dizia, quando era bispo diocesano do Acre, que a luta contra o crime organizado tem que ser permanente, sem trégua. Para reforçar o que dizia, o religioso recorria à uma metáfora interessante: “A mãe do mal está sempre grávida”.
A revelação de que a morte do pecuarista Mauro Moreira Braga é fruto de um esquema muito mais forte que a própria tragédia é preocupante e deveria fazer com que as advertências do bispo sejam lembradas permanentemente.
O Acre está experimentando viver em paz e já não há mais, pelo menos visivelmente, quem decida quem vai viver ou morrer nesta terra. Os que ousavam ser senhores da vida estão atrás das grades, à espera de julgamento.
Um assassinato com profundas características de que o crime organizado continua em atuação deveria fazer acender a luz de alerta para as instituições encarregadas da segurança pública.
Faz-se, portanto, de prioridade zero a prisão do executor do assassinato de Mauro Braga. Prioritária porque, com a prisão dele, vão se esclarecer outros crimes em que a pistolagem agiu e se manteve protegida pelo anonimato.
Cabe então ao governo do Estado criar as condições para a polícia judiciária continue a cumprir seu papel constitucional de elucidar crimes - por mais bem engendrados que tenham sido.
À sociedade cabe não perder de vista as advertências do religioso. Para isso, precisa ajudar a polícia, com informações e apoio. Num Estado do tamanho do Acre, onde a maioria das pessoas se conhece e se trata pelo nome, não se concebe a prática de crimes dignos das grandes metrópoles e perpetrados com a meticulosidade de organizações criminosas transnacionais.
Resta, portanto, à sociedade pôr um fim nisso. Basta de violência. Chega de impunidade!