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Rio Branco - Acre, domingo, 16 de março de 2003

Cedida

Juventus, 1975. Em pé, da esquerda para a direita: Mustafa, Mauro, Emilson, Milton, Maurício e Antônio Maria. Agachados: Walter Prado, Julião, Dadão, Carlinhos e Pitola

Mustafa: o xerife juventino dos anos 70

Atleta completo, o ex-craque foi convocado
para várias seleções acreanas

Francisco Dandão

CedidaNa família Ribeiro de Almeida pode-se dizer sem medo de errar que o futebol é uma questão genética. O patriarca Mustafa foi um brilhante ponteiro-direito nas décadas de 40 e 50 em times de Brasiléia e Cobija. Já os filhos, Mustafinha, Mauro e Marcos, estes no futebol da capital acreana, igualmente se destacaram entre o final dos anos 60 e a primeira metade da década de 80.

Mustafinha, o mais velho (ele nasceu em 09.05.1953), que passou a ser chamado no futebol como o pai (Mustafa), começou a carreira depois de descoberto nas peladas do bairro da Capoeira. Aos 15 anos, ele foi levado pelo técnico Jorge Vela para a zaga central dos juvenis do Vasco da Gama. Mas ficou só um ano por lá. Em 1969, trocado pelo também zagueiro Messias, Mustafa foi parar no Juventus.

Quatro partidas nos juvenis do Juventus foram suficientes para fazer Mustafa chamar a atenção do técnico Valter Félix de Souza, o Té, e ser convocado para o banco de reservas da equipe principal. Foi entrando no time aos poucos e em 1971 virou titular absoluto. Nesse período e até completar 21 anos, acabou alternando partidas pelos juvenis e pelos titulares.

Em 1977, aos 23 anos, o maior drama da carreira do atleta. Num jogo contra o Atlético Acreano, um lance casual envolvendo o companheiro de zaga Maurício e o atacante adversário Valdir, Mustafa estourou os meniscos do joelho direito. Foi o prenúncio do seu crepúsculo no futebol. Uma cirurgia em 1979 o devolveu aos gramados, mas sem o ritmo de outrora.

Do Juventus até o definitivo encerramento da carreira, em 1982, Mustafa nunca mais saiu. Ao contrário: a identificação foi tamanha que ele acabou tornando-se sócio e conselheiro do clube. “O Juventus era, assim como é até hoje, uma verdadeira família. Não se limitava a ser um clube de futebol. Havia a preocupação já naquele tempo de formar cidadãos”, explica.

Cidida

Os irmãos Mustafa e Mauro (Juventus) disputam
a bola com o atacante Ronildo (Rio Branco)

Físico privilegiado e aptidão para qualquer esporte

Com 1,82m de altura e um corpo de músculos muito bem distribuídos, Mustafa foi o que se pode chamar de atleta completo, capaz de se destacar em qualquer esporte que exigisse aptidão técnica com uma bola.

Por conta disso, paralelamente à carreira de jogador de futebol (além do Vasco da Gama e do Juventus ele também defendeu o time da 4ª Companhia de Fronteira numa olimpíada regional do Exército), Mustafa integrou por vários anos as seleções acreanas de handebol, basquetebol e voleibol. E sempre como uma das maiores estrelas das respectivas equipes.

Tanta dedicação à causa esportiva não podia mesmo levá-lo a um outro caminho profissional. E assim, após abandonar quadras e campos, o ex-craque Mustafa virou professor de educação física, com diploma outorgado pela Universidade Federal do Amazonas.

Cedida

Os grandes nomes do futebol
acreano em todos os tempos

Uma equipe de sonhos do futebol acreano, na opinião de Mustafa, formaria com os seguintes nomes: Zé Augusto; Chico Alab, Escurinho, Curica e Babá; Mauro, Mariceudo, Dadão e Carlinhos; Touca e Paulinho.

“Mas, além desses”, diz Mustafa, “eu seria injusto se não citasse gente do porte de Zé Cláudio, Tadeu, Julião, Milton, Antônio Maria, Emilson, Euzébio, Pedro da Burra, Bico-Bico, Mário Vieira, Guedes...”.

Os melhores técnicos? “Eu só trabalhei com dois: Té e Tinoco. Para mim esses sabiam demais. Trabalhavam de maneira completamente diferente, mas sabiam como poucos treinar e comandar uma equipe de futebol”, afirma.

Um passado feito de lembranças alegres

Mustafa, que além de professor de educação física também é formado em direito e trabalha atualmente como Inspetor de Controle de Pessoal no Tribunal de Contas do Estado, diz que não vai mais ao estádio José de Melo. Mas não por alguma espécie de mágoa. “O meu passado no futebol é feito tão somente de lembranças alegres. E se não vou mais aos jogos é por outros fatores, entre os quais a violência na rua e o desconforto no estádio”, diz.

Quanto à volta do Juventus ao futebol profissional, ele é taxativo: “O Juventus toda a vida foi uma espécie de divisor de águas do esporte acreano. Com o time em campo, o futebol local é uma coisa, sem ele é uma outra bem diferente. Eu acho que parte da motivação antiga da torcida vai voltar com esse reingresso do Clube do Povo. Principalmente porque existe um trabalho sério por parte da atual diretoria, visando a conquista do título”.

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Mustafa e a esposa Raquel Almeida, em foto atual